terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Asas para a liberdade

Felicidade.  A presenca da ausencia da morte, tema de um livro, companheiro de minhas andancas.
Lembra-me independencia, numa frase emblematica.  Morte, o momento vazio onde nao ha mais o pensar.
Pequenos momentos, livres.  Do medo pelo existir, e por todo e qualquer julgamento moral, que cerceie as opcoes individuais.
Posto que e fato, livre de quaisquer expectativas, num espectro inteiro de satisfacao para com o que se tenha.
Estou feliz, nao mais o sou.  E minha visao da morte atormentada se torna palco de fundo de meus atimos de redencao, apenas.
Voar, simplesmente.  Saborear a sensacao do encontro com as nuvens, e a visao de belas paisagens.  Encontrar o motivo que justifique o inesperado, modelado nas asas de um aviao, que corta os ares.  Certeiro, veloz, digno de sua propria envergadura.
Por sobre mares e oceanos, terras desconhecidas, esse passaro gigante, criacao do homem a sua essencia, se desloca.  Somos mais do que existir, no momento em que criamos nossos proprios veiculos para a liberdade.
Sartre postulava que a existencia se dava a priori, resultando dai o homem angustiado, vitimizado pela sua propria crise.  Escolher rumos e tarefa ardua, nao resultante em caminhos virtuosos, muitas vezes.  Mas, de como conflitada, e a unica via que possa preencher as expectativas do ser.
Livres aqueles que se permitem adentrar ao mundo da nao pre escolha definida, e tomada de riscos calculados.  O que ai esta e para ser saboreado, nas suas duvidas e contingencias.  Com as limitacoes de cada ser como individuo, muito embora um moto continuo para toda a humanidade.
Eis-me aqui, tomada de coragem, rosto ao vento, e uma passagem com destino.  Remoto, mas pulsante.  Livre, em acorrentada pelas minhas emocoes.  Num dialogo continuo entre as minhas expectativas.
Sempre gostei de aeroportos, que simbolizem o efemero do transito, para de onde se veio e va. Com uma identidade definida pelo nao paradeiro.  Com os quais ja convivi, em momentos de cansaco e perguntas, sempre a me dizer o incompleto. Como me tornei cronista de aeroporto, vale lhe atribuir uma nova missao.  Que seja linda, pois minha esperanca e a mesma.  Viver o que ha de bom, o quanto efemero, pois assim se faz.  E com alegria, pelo prazer da escolha.
Ana, sao tantas as vezes em que lhe encontro, e tantas palavras bonitas foram as que trocamos.  Nao saberei porque tive uma chance, a voce nao dada. Em nossas conversas, agora, so sinto voce, mesmo estando em nao palavras, e nem mesmo sei que tipo de anseio elas me causam.  Por voce, tambem decido ser livre, para que a vida me proporcione um verdadeiro sentido.  E continuarei acreditando no pressuposto de que os instantes de felicidade que encontrarei, a priori, nao sao tangiveis preconcebidamente e, sim, fruto do meu aprendizado para com o viver e seus dominios.
Voce e linda, sua luz o e.   Sua ida foi o instante derradeiro para eu me certificar da minha total fragilidade, enquanto ser humano.  Minha gratitude pelos inumeros presentes com os quais tenho sida ofertada.  E so posso chorar, pela grandeza dessa conscientizacao, que vem de encontro a sua vida suprimida.
Nao deveria ser assim, mas o e. Sem arrependimentos e explicacoes.  Felicidade ou morte, o livro a minha cabeceira.  Eu escolho voar.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Simplesmente petalas

Vozes estranhas habitam as paredes da esquizofrenia.  Pensamentos que se mesclam, numa inteligencia subliminarmente declarada.  Um mundo em si so.
Depois encontrar uma crianca, inocente em sua infancia.  Aluma.
Cansaco preenchido pela doce sensacao de encontros inesperados, no ceu que se abre, o qual chamo vida.
Que mais lhe quero ainda, quero mais.  O retornar ao sonho, ainda mais perto e melhor.  Fantasia de dois corpos, num momento muito amplo para curtir.  So poesia.
No coracao que bate a passos largos, antevendo um futuro de memoria, inospito pelo seu nao acontecer.  Presente na vontade, cheio de esperanca.  Por isso, a temer.  Castelos de sonhos se desfazem ao sabor dos ventos.
Mas nao ha o que impeca o sonhar.  Nem as palavras sussuradas, nem a fantasia do enlevo, nem a quase sensacao do seu corpo inteiro, me levando depois as lagrimas.  Pois chorar ja se tornou um artifice, bom companheiro dos sentimentos expressos, numa torrente que limpa a alma, no seu momentaneo.
O presente e a questao.  Nele facamos nosso tempo, cada segundo a propria vida, parte de poesia, real imaginario.
Assim, me vi conversando com varias facetas de uma pessoa, e tudo nao durou menos do que algumas dezenas de minutos, suficientes para ampliar o mundo da minha compreensao.  O estado de loucura pertence a um sitio basico, de probabilidades amplas e bem menos definidas.  Onde a dor parece nao esbarrar em nenhuma contingencia solida.  Ate mesmo invejavel.
Eis-me outra vez,sentada, dedilhando meu roteiro, sob o fundo de um dia primaveril, que foi intenso, desde a saudade ate meu grato contato com as criancas, que me renovam, de cada vez.   Aprender e um processo simbiotico que, se encarado como recebimento, e a mais pura fonte de satisfacao. Elas  sorriem, se desesperam, e vao, no seu manejar, adquirindo as proporcoes do que e o viver.  Todos, invariavelmente, na mesma roda do destino.
Um dia ainda mais importante.  Para mim, ele, voce.  Surge uma pequena nuvem de esperanca, nao mais.
Toda, sem grandes pretensoes, mas com muita vontade.  De que venham dias promissores e melhores.
O voltar para casa, e ouvir, sem tregua no tempo, as cancoes que fazem transbordar minha alegria e desejo.  Acordes do que me e lembranca, que criei no meu mundo em paralelo, e dos quais passam a fazer parte da minha tabula rasa.  Cantar, dancar, fluir, sorrir.
As flores continuam a minha frente.  Algumas petalas ja se vao, me lembrando sempre de que o maior compromisso e o viver.  Mas o belo existe tambem na tristeza desse cair, como no desabrochar.  Somente uma questao de se olhar ao processo como um todo, nao mais.
Brindo as flores, e sua sapiencia.  Aos sons, que me levam a inspiracao, e se tornam companheiros no meu nao esquecer.  As criancas, que me acontecem a cada dia.
E a minha capacidade de amar, acima de tudo.  Encarando o medo e a solidao.  Fazendo um pacto de silencio genuino com meus sentimentos.  Enfrentando a agruria da paixao nao correspondida.   Deixando sem respostas o que nao ha de se indagar.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Baby baby ( Meias a parte )

Quatro da manha, na minha vida notivaga.  Silencio total, so me restam os teclados.
E eu vou viver a minha experiencia do ser, com ou sem loucura.
Amanha e a cobranca, em mais algumas horas.  Nesse entremeio, sou livre para andar com meu roupao, nao sentir frio, e escrever ate que a morte me separe.
Um cigarro.  Dois belissimos jarros de flores, brancas, roxas, vermelhas, me asseguram de que os momentos continuam, no so brincar da imaginacao, sem medo.
Ha alguns dias atras, me vesti com o personagem da despedida.  Saia jeans, meias, um tamanco altissimo, e esperei o telefone tocar.  E as horas foram passando,  o banco do meu carro e as esquinas da garagem do aeroporto desaparecendo.  Lembrei-me do cartaz que mencionava aquela frase correta, e fui me deixando ficar com meu tesao reprimido, ao som de Caetano.
Mas estava linda, so ternura em frente ao espelho, uma boca pintada e os cilios muito pretos, exatamente como eu gosto, sempre nas fotografias.
Despindo-me aos poucos, cantarolei o que ja nao e mais parte fora de mim, e me senti tao desejada como antes.  Meu corpo estava febril de paixao, mas ainda sou uma menina, para a qual o tempo sorri, e a sensualidade so faz conta.   Nua a mim mesma, nao menos bela, ja que o nome carrego, e deva fazer jus.
Nas paredes do meu quarto, um rosto ja nao houvera, entre tantos.  Nao suficiente o fosse para nao entornar o meu melhor blue, regado a BB King e goles de vinho.  Para diminuir a dor, ou aumentar o prazer, tanto faz.  Todo blue tem a palavra baby, so this is it.   Baby, come here, let me just feel you.
Seguirei minha vida vivendo o drama, ou serei cool forever ?   Dificil dizer algo sobre minha alma inconstante. Nao a tal ponto.  Sei o que quero, mas adoro a cumplicidade do jogo do amor.    E um vinho tomado a dois e sempre muito saboroso.
Pois, senao da espera, onde estara o aeroporto ?   Preso as minhas lembrancas, esperando por mim, jeans e boca ao mel.  Futuro proximo, no mais provavel.
Ao que se dira, sabido ja era.  No contexto, muito mais volatil.  Eu ainda sou uma surpresa das decisoes de mim mesma, e brinco os jogos a que me aprouver.
Um detalhe.  Meu quarto nao tem paredes e, minhas meias, nao soube tirar.  Precisei do auxilio do meu consciente nao ebrio, mas faco da vida uma grande tela de aprendizados.  Em meu futuro, uma verdadeira escola de nao mais marionetes.
 Guiada pelos meus dedos que nunca sabem o que os espera, fantasiando meu oncoming future, desfrutando a colacao da lingua inglesa.
Abre-se uma nova semana, cheia dos percalcos do amanha.  Eu, aqui, sublimando mais um texto, rainha da noite.  Roupao e desejo, flores a minha frente, numa eterna ansia de viver.
So long, daqui a pouco se abre o dia, e me lembrarei de que o sono nao vingou, mas dele me esqueci.
Deixo-me, apenas.  E somente mais um dia.  Tao grande quanto, ou banal.  Despirei minhas meias, para depois vesti-las, ou serei nua no todo, saboreando as fatias de cada felicidade.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Murmurio de boa noite

Ha um coro de silencio la fora.
Resolvi viajar para a China, pois la sou amiga do rei, numa distancia bem longa, onde so eu seja apaixonada por minhas palavras.
Visitarei a Mongolia e as torres do sem fim, e as escadas de plantacoes  de arroz, nunca se sabe.
Descerei leste afora pelo Laos, completamente inospito em minha imaginacao.  E declamarei o coro de vozes, ao som das criancas do Vietnam.
Encontrarei uma ilha solitaria no Pacifico, e aproveitarei meus dias pensando em agua, cocos, e alem mar.
Sobrevoarei paisagens de que nao conheco, na  ansiedade de me sentir fora do planeta.  Ouvirei linguas estranhas, e enfrentarei desertos de calor e neves ousadas, entre rostos loiros e amarronzados, privilegio antropologico da raca humana.
Voltarei a um tempo muito antigo, com jaleco branco, circulando por entre as passagens de uma faculdade.  E nao saberei a hora da aula de anatomia comparada, para fugir ao cheiro de formol do laboratorio.  Corpos humanos abertos para dissecacao nao sao interessantes, apenas na memoria do relativo.
Percorrerei as idas e vindas do movimento estudantil, em toda sua ousadia e crenca, mulheres e homens, carentes em sua permissividade.  Um ideal a acreditar pelas costas, e a vontade de ser feliz.
Encontrarei minha mae, velhinha, do alto de sua senilidade, a me sondar os caminhos do coracao, no eterno reflexo de nossas duas vidas.  Sorrirei, a quem se fez crianca, outrora so uma mulher.
Ondas que batam na espuma branca da areia que dorme, eis me sem paradeiro, pois o mundo e grande, as letras inumeras, e a emocao uma so.
Doce silencio de Shabbat la fora, o frio que atravessa meu corpo, e que pede aconchego. O livro a mostra, para que eu me delicie, e as paginas viradas do lido que ja se foi.
O barulho la fora e sutil, como o e o do meu coracao.   A escrita vem, presenteia, se cala, e eu sigo olhando o obvio, sem mais, tristeza.
Areia que bate, ondas ao mar, todos os cenarios, em suas inumeras paisagens.
Eu, mesma, lida por milhares, como se a aprovacao fosse requisito para o ser.
Ainda ha sorrisos, e mesmo gargalhadas.  Passagens, doces rios e cachoeiras.  Norte a Sul, nada mais do que uma imagem.  Para eu me sentir inteira, sem medo do belo.
A tela nua, a minha frente, me convida a pintura que vira, pois preciso de mais lilas a minha volta, com o preto dizendo sim.  Ou nao.
Todas as formas que estimulem minha sublimacao e a fuga do momento em que o mundo dos homens se faca real.
Poesia e cores, passeios sem arrependimento, e chegada a fartura dos morangos, campos com colhedores oriundos de paises pobres.  Para que nos, privilegiados, nos refastelemos.  Captarei, ao som de minhas imagens, para nao me olvidar de que sou uma furtuita observadora do ser..
O tempo urge, parado, e faz nota com a solidao do nao estar alegre, ou triste, so em vida.
E vou dizendo adeus, como um murmurio, sem notas ou cores, de volta ao sonho e ao branco, de que de tudo toma conta.   Amanheca o Sol, supere a noite, e me acorde abracada, num doce enlevo de bom dia.  E ai sorrirei.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Doce chuva, pedindo ao fundo

Tao sedutor quanto o encaixe de dois corpos, o encontro de duas linguas, e o prazer do sexo.
Maravilhoso como ouvir tudo o que se queria falar, e mais.  Pedir, sussurrar as palavras certas.
Ficar inebriado, e esquecer o orgasmo que surge, de repente, surpreendendo a todos os sentidos.
Entregar o corpo a todas as caricias, sem nenhum trajeto.
Muito bom viver, em conhecendo a aventura do se permitir.  Naquele beijo que nao pede, mas nao quer terminar.  No toque em que se sente a forca de dois bracos, e a vontade da total entrega.
Pedir mais, e nao parar.  Sempre, sem pensar.
Baby, take off your clothes, slow, slow.  Para voce, meu melhor strip-tease, sem mais.
Muito quente aqui, mas eu ja estou sem roupa.  Como meu pensamento que, nem ao menos, viaja.
Sentidos do meu corpo, eu vivo esse blues imaginario, e conservo so meu chapeu.
Comeco pelos tamancos, tao altos, com os quais me sinto uma deusa. E ai pergunto, ou nao, sua vontade.
Como nao tenho ideia de como tirar minhas meias, voce pode me ajudar. E nao me importo de que percorra minhas pernas com caricias, porque a estrada do desejo e longa.
Saia jeans, gosto de ser menina, muito facil de ser tirada, assim, devagar, junto com os movimentos do meu corpo, so para lhe excitar.
Camiseta normal, mas faco dela um lenco, bem bonito, e flutuante, para poder instigar sua imaginacao.  E, tiro, devagar, no frio que so vai virar desejo.
Paro. Esse momento e de uma pergunta no nosso olhar.   Pode nao ser a mesma, mais vale o silencio da contemplacao.
Virar de costas ou nao, para tirar o soutien.  Sete semanas e meia de amor, com certeza paro por aqui.
Dispa-me voce, para eu sentir menos frio e mais prazer.  Para eu ouvir, mais perto, as palavras sussuradas que sua boca me proporciona.  Para eu sentir seus bracos, tomando meu corpo.   Esquecer, ou nao, tanto faz.
Na minha frente, flores, coloridas.
Ficando longe, o tempo se esvaiando, brincando de escorrer.  Peca-me para ficar presente, pois perdi meu paradeiro.  Nas mensagens nao mandadas, de todos os textos lidos.  So encontro as mesmas letras, e um futuro que nao e presente, forca ou nada.  Na solidez do silencio, meu chapeu que nao conservo em minha nudez.
Tanto faz, no dominio do desejo, estou. Completamente ferida, com a chuva que recomeca, a se fazer companheira.
Escolho minha solidao.  Nela vivo, e perpetuo meus dias e anseios.
Nada ha que os apague, continuo no rumo de minha busca.
E o fogo do paixao, que nao mais me consome, acena um adeus, de despedida tao longe.
Caia chuva, e me transborde de delirio, ou simplesmente sinta meu corpo.  Minha alma ali ja esta, e eu desabrocho do fundo do meu ser, sem que me leve a eternidade de todas as minhas perdas.
Esse batom em minha boca, tao roxo e vibrante, me traz a tona o pulsar de mim e e, ate mesmo, um acalento.  Meu momento de mulher, tao mais segura e plena, pronta para a vida.
Num canto, somente.  Sem nenhuma melodia que eu sabia, todas parte de mim.
Sigo meu rumo, com amor pelo meu destino, e a vitoria das minhas derrotas.  Sou eu, simplesmente.
A chuva bate seus pingos, e eu continuo a escrita.  Nos comunicamos pelo obvio, e penso nas distancias, na dor, e no livre em ser.
Nas respostas que nao terei.  Sera assim.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Agora um trovao ( Rompendo o tic tac )

La fora, o barulho da chuva.
Tic tac tic tac faz o silencio.
Mas chove la fora.
E o silencio tic tac dorme como um gigante, na espera.
Percorro com medo minhas letras. De gritar, ja passou.  Agora e so o tic tac do silencio, nada a ouvir, pingos de chuva, na minha solidao.
Se estivesse num campo, bradaria.  Mas estou aqui, sentada a minha cama, escrevendo, e o que pulsa e esse relogio atormentado.
Nenhum barulho, ou som que venha, na monotonia dos dias comuns, que se anunciam.
No meu coracao, que nao ousa mais um suspiro.  Tic tac, nem ao menos de verdade ao meu lado.
Viver a vida, em se equilibrando num fio.  Erguendo-se, caindo, doce esperanca da ilusao.
Ouvir uma voz, para quebrar o compasso avassalador dos tic tacs do momento.  Que nao passam e se renovam.  Hoje o choro nao e mais vida.
Um pequeno sopro, ou algo tao grande.  Uma voz, para quebrar a escuridao de um momento, de um quarto que nao tem frestas.
Tic tic tac, para variar.  Tac tac tic, para ser pernostico.  A ordem dos sons nao muda as badaladas de um relogio que caminha para a frente, impulsionado pela vontade de uma decisao.
O relogio que esta ao meu lado parou.  Acordou mudo as dez par a meia noite, e assim deixei que ficasse, para descansar em sua pretensa imortalidade.
Tic tac e sao os rostos vivos que somem, na pagina do tempo que se vira.  Aqueles, cujas fotografias tomam o lugar do coracao, na lembranca.
Mas hoje sou por alguma lei da fisica, bastante conhecida.  De que os corpos caiam por causa da gravidade, de que nao sei absolutamente o que e relativo.  Da atracao entre eles, quem sabe no quesito eletromagnetismo.  Eu adorava a disciplina antes do vestibular, muito embora pouco se tenha dada sua aplicacao.  Na verdade, em pensando, tambem e muito util.
Chuva caia, pingos de relogio.  Relogios de gravidade.  Tempos que voem.  Saudades que passem rapido, ternura que nao se morra.
Tic tac de novo, como se fosse um som que nao parasse de bater a consciencia.   Estou passando, voando ao meu eu, la longe, nao se ve mais meu rosto.  Nao chore, porque o amor e feito de perdao, como a mais profunda das noites.
E as palavras nao ditas nao sepultam o desejo de nao serem vividas,  Apenas se esqueceram, embora tivessem brincado tanto.
Por isso o badalar dos relogios da vida parece ser sabio, em sua monotonia.  Nao o que o faco parar, a nos que estamos a merce dele.
Como um quebra cabeca gigante, parte por parte, ninguem e tao inconstante.  Apenas eu e voce.  Mas isso ja e passado.
E sua voz ?  Como sera ?  Quais os timbres do alcance de sua paisagem ?
Eu adoraria estar voando agora.  Atravessando o Atlantico ou, quem sabe, indo para Estocolmo.  Bem mais de volta aos tropicos.  A viagem e linda, para quem se senta, e vai.
Mas ha asas para quem fica.
Um badalar que diz dor, amanha, silencio.  Doido e muito solitario.
Passo e fico, como o universo.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Despedida ( Em so carinho )

Olha la o aviao.
Vai cruzar os mares, e desfrutar fronteiras.  Talvez passara pelo Nilo, ou Alpes, inesqueciveis na sua beleza.  Mais valem as do coracao.
Daquelas que nao se separam, nem em um grito de morte, mesmo estando juntas.
E, dentro dele, a vida que pulsa, e as estorias que se deixam ou levam.
Eu fiquei.  Mas sem medo das distancias, que viajam junto com elas. Que nada as tirara do meu consciente, ou o dentro de mim.
O futuro espera com seus sonhos, disfarcados em realidade, num pedido de apego.  Numa crenca a salvacao, e o destino dos que o pecam.  Nao suplica doce ao dominio da paixao.
Viaje, esteja sempre, voce e sua luz.
Que o mundo dos homens nao e capaz de apagar, e nem teria o porque.  Suas incertezas fazem parte, e seu amor desabrocha, numa sequencia que lhe faz inteiro, menino, homem, digno de viver.  Nos saltos que a vida da, e no sentimento presente em cada um de nos.
Viva seus erros, que serao muitos.  Para isso voce nasceu.  Para ser livre.  E cultivar sua dor, que faz parte.  Ela e de todos nos, marcada em ferro e brasa, nem por isso menos linda, na ansia do viver.
Sorria esse sorriso que marcara minha lembranca, sendo mais do que parte de historia.  Minha descoberta e delirio.  Meu voce dentro de mim.  Sem nenhuma amarra que lhe peca mais do que simplesmente ser o que se pode.   Vale a recordacao de um momento que nao tem nome.  Sem espera ou paradeiro.  Cores distintas, aos olhos de cada um, por isso tao belo.
Motivo de muitas linhas e inspiracoes roubadas.  Paixao do infortuno, de onde nao vem as certezas.
E um aviao e lindo, desbravando o espaco, coerentemente sincronizado com seu momento de chegada.  Beije o solo do meu querido Brasil por mim, amor infinito.  Onde tanto esta por vir e, nao a toa, o porvir.
Uma grande ilusao encontrada num voo, que fecha duas realidades, num momento tao atimo.  Favelas do Rio, Carnaval, Barra da Tijuca, Recreio, Copacabana, ate os arcos da Lapa, dos quais so me lembro em fotografia.  O bonde de Santa Tereza, e aquele hostel, que tem tantas filiais, e de que meremamente nao sei aonde me hospedo, ja que Copacabana, de que o mar leva o labirinto bem mais para longe.  Assim a serra que liberta, e faz tudo tomar perspectiva.  Carlos Drummond ainda deva estar sentado em sua eternidade, de vez em quando alguem brincando com sua casmurrice.
Tudo para seus olhos, vale a saudade do que for, e seja seu.  Dos seus sonhos e perguntas, sem que hajam respostas.  De absolutamente todas as confluencias do seu ser, ou nao.
So poderia dizer agora que lhe amo, e isso e bastante.  Essa confissao no papel que, absolutamente, nao exige nada, e do qual possa me orgulhar.  Pois nao tenho a prisao da fantasia do encontro, muito menos se ele faca parte dentro de mim.  E de que sua consternacao nao muda a bussola dos fatos, eu, em mim, inteira.  Com a sempre escrita ao meu lado, verdadeiro presente.
Meu amor, nao deixa de ser um jogo de contas de vidro.  Multifacetado, angulos que brilham, outros opacos, um cristal.  A propria sombra da forca e da delicadeza.  Todo para voce, como uma rosa.
Que sua viagem traga a docura do que ha de melhor em voce, e do que o mundo dos homens tenha lhe ensinado.  Havera um ombro que lhe aconchegue, e a doce constatacao do passar dos seus dias, em sua grandeza.
As ondas do mar vao e vem, e se esgotam num nunca se acabe.  Tambem sao boas conselheiras.  Essa redoma de vidro e uma ilusao da forca do seu destino, e so lhe propoe soltar as amarras dos grilhoes de voce mesmo.
Viva suas contradicoes ate o fim, dentro da sua beleza.  Ela e tao grande, que nao cabe em minhas palavras.
E, da sua ternura, so agradeco.  Como a tudo que voce me fez sentir.
Um beijo de despedida, ou quem sabe um alo.  Ou nada.  Nao importa tudo, ou importa tanto.  Sempre so me deixara com um pedaco, que e esse que nos cabe viver.  Sem receios, ate o mais fundo do comprometimento, so com o coracao de que se tenha em cada um. O proprio, seu, de que ninguem, nem nada tirara.
Voe bem alto, sem sentir suas asas.  Se eu puder ser uma recordacao, nao se guarde.  Ela tambem e um sinal de esperanca.
Adeus, ate logo.  Nao sabemos nem da dimensao de nossa propria existencia, enquanto homens.  Por isso, as amarras uma utopia, na vida que e, somente, liberdade.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Adoro ser sua

No palco, dois atores.  Cenario nu, com apenas uma cama de casal ao centro.  Grande, confortavel, propria para todos os tipos de enlaces.
Ao fundo, o som de uma musica.  Freneticas, muito louco dentro de mim.
Personagens, eu, voce, o medo, e o desejo.  Nao me toque, me deixe adivinhar.  Eu sei, era exatamente o que eu queria.  Agora, por entre as minhas coxas, meu doce poema erotico feito em prosa.  Me deixe gozar sem parar, e talvez eu me esqueca.
Voce nao pede, apenas obedece, e assim se faz o mundo.  Dentro, muito dentro, e so coracao.
Mas a plateia espera, e o dia ja se faz claro. Onde foram parar os raios de Sol ?  No ceu de meu gozo em sua boca, so para voce nao me esquecer.  As palavras acendem um fogo que nao se cansa de queimar, para voce todas as dedicatorias.
Ame-me como puder, mas me deixe louca.  Por que, so assim, vou me esquecer do tudo que ja nao e, e me entregar inteira.  Olhando as nuvens do colorido que e querer e saber mais.   Pensando na cor dos seus olhos, e no seu corpo que anseio inteiro.
Fim do primeiro ato.
Voltamos, eu e voce, um abraco, beijo, outro, e me sinto tao mais nua, como se ja nao houvera sido.  Puro erotismo.  Penetre-me bem devagar e me deixe ficar em cima sempre, mais, toda, desejo. Nao quero parar de cavalgar, porque o sonho e muito bom.   Seu corpo suado de prazer e o meu, assim juntos, eu so sei o que e a volupia do seu membro dentro de mim.  Para isso espero, e para isso sou.  E ja nao me importa mais nada.
Sem a certeza, nem meio ou fim, quero voce.  Sem a palavra medo, que passa e brinca, pois meu momento e de risada.  Eventual circunstancia do ser, me deixe ser so inteira.  E voce a meu lado, sempre dentro, para me dar esse momento.
Deixe-me beija-lo, inteiro, como recompensa.  Sussurrar que lhe quero e ficar a seus pes.  E so me entregar, sem queda.  Desde que voce me faca feliz por ser meu, nesse atimo, nessa loucura que e sentir.
Morder seu pescoco e deixar uma cicatriz como testemunha, em comunhao com meus mamilos que pedem seu afago, tudo muito rapido, nada muito lento, eu sou toda poesia.  Muito louco dentro de mim, muito louca dentro de mim.
Deixe-me sentir seu membro em minha boca, tao devagar quanto um gozo que galope leguas, e se faz sentir. Que me de o prazer do estar em voce, agora.  Adoro ser sua.
Adoro ser sua.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Doce aceno de despedida ( Aos trenos do Natal )

Por onde prescruto, uma incrivel sensacao de vazio.
Meu corpo reage imovel a qualquer tato, e meu coracao esta sombrio.  Acabaram-se as palavras, que levaram, com elas, a esperanca.
Nao sei o que me aguarda, nado ao leu. Sobrevoo as passagens de rios, passo e fico, como o universo. Do qual voce fez parte, insistentemente o porque.
Momento de dor nao menos do que uma paixao nao correspondida.  A todos que me leiam, nao venci, porque so sei estar sozinha.
O misterio intimo das coisas e elas nao terem misterio nenhum.  Alberto Caieiro, em seu Guardador de Rebanhos.  Em sendo Deus as arvores, os rios e as flores, se apresente a mim como tal.  Pois a vida um sucedaneo de desencontros, que eu aprenda a minha derradeira verdade, sem o sofrimento que Pessoa nao enxerga, no seu mais puro existencialismo.
Que por um momento efemero, desejei.  Com todas as minhas forcas, e sem subterfugios.  E sofri a dor da magoa e perda.  Das palavras que feriram, e do punhal que cravei.  Dos sentidos nao vividos, cumplicidade esgotada, sem arrefecer.  Ate me bastar pelo sacrificio da nao duvida.  Nao ha como descrever o sentido de um fim que se orienta para a morte, destino de todos, mais proximo de alguns, pelo menos em tese.
Foi cumprida uma sentenca em unissono como o viavel, expectante da banalidade do que e o ordinario habitual.  Sem maiores amizades, trocas e enlevos, e o resultado e medo.
De seguir ou ficar, por onde me encontre, as barreiras da solidao me sufocam e fazem tremer. Meus sonhos de garota se diluem frente a realidade que bate a porta, e cobra o vico do meu corpo, a sede do meu desejo, e o conforto da minha ternura.
Nao posso ser o que nao sou, menos talvez transgressora.  Porque nao a mim a mesma fatia da felicidade, mas sim um relogio que clama o silencio de meus dias.  Eu, inerte, contemplando o amanha arido de sonhos nao vividos.
Porque a presenca da nao coragem nas minhas escolhas ?
Nao encontro palavras, porque so as tenho no papel.  Junto a um gigante que, como um Deus dorme, assim termina Pessoa.  Perto do seu candieiro que se apaga, e as janelas cerradas. Muita paz para entender o obvio.  Devemos nos bastar a nos mesmos.  Os sonhos sao criacao dos sentidos que, por sua vez, misterio algum carregam.
Ainda assim, quero chorar sobre o ocaso, embora minhas lagrimas estejam secas.  Voltar a acreditar no sorriso de uma lembranca, talvez.  Poder me permitir sonhar, o que nao aconteca.
Caminho para a morte, extremamente viva, que me chama.  O tempo vai avancando seus tentaculos pelas sobras do meu ser, a quem chamo vida.  E e inexoravelmente pontual e fatidico, sem me deixar opcoes.  Nao me perguntara a que vim mas, simplesmente, erguera um foice na hora marcada, e deixarei o mundo dos homens, tao somente eu quando o adentrei.
Brinquei com um sonho de inverno, no presente que ganharia de Natal.  Nao o vi a minha janela nem, tampouco, me esqueci. Cultivei-o, dentro de mim, como uma boneca que busca seu nome, na ingenuidade de uma menina que nao fiz crescer.  Agora vejo-o, ja ao longe, partindo e, nem menos, tenho forcas para lhe acenar uma despedida.
Acabou-se o Natal, os trenos e a neve.  No hemisferio sul, e verao, e tudo acontece.  O mundo parece gigantesco, quando a geografia e medida a palmos.  E as vozes, que nao calam, ha muito abdicaram de seu direito de viver.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Um rio em minha memoria ( Voce passou )

Se por um segundo, eu o faria se eternizar. Clovis de Barros, sim.  Por muitos mais.
A felicidade compreende essa nocao de momentos que nao se queiram acabar, em muitas vezes dependentes da vontade do outro.
O merito esta em se conserva-la pura, nao contaminada pelas expectativas do que vira depois.  Ela se torna parte de um processo hipomanico, regido pelas forcas do nao saber e anti conformismo.
Que sei eu da felicidade e seus instantes monogamicos de recompensa .  Dentro das minhas carencias e visao nao objetiva do mundo.
Apenas sou, e espero a continuidade de momentos bons que se sucederao, doce alegoria do incognito. Lamentavelmente, o desejo e um poco sem fundo, dificil de ser alimentado, irrazoavel na sua textura. O medo de amar e o de ser justo, na entrega e na onipresenca, simplesmente letargicos produtos do presente.
Pois se em olhando a flor me sinto justa, e dela faco minha adoracao, o mesmo ja nao se da com relacao ao mundo dos homens.  Minha idolatria nao encontra eco de respostas, ate o fatidico momento do desencontro, em que qualquer palavra se torne dissonante, e o arrependimento mais valido do que seu fortuito.  Errei me entregando, como se ja houvera a nao resposta.
Nos momentos em que ja se sabia de antemao o infortunio, e so por isso a presenca era mais dubia, e a certeza um verdadeiro fantoche.  Em que, e talvez por isso, o ganho fosse substancialmente maior e desafiador.   A quebra do conformismo, da lisura das formas, e o encontro do nao articulado a priori.
Como seria algo nao moldado de inicio, fruto de duas vivencias e coracoes distintos.  Numa relacao de ganho de potencia, nao discriminadora em seu proprio ser.  De ajuda e recompensa mutua, simplesmente um homem e uma mulher, sem termos.  Edificante em sua propria natureza e bastar. Nitida, aprazivel, e limpa.  Fruto de um verdadeiro prazer sem medos.
Nao ha respostas, senao o proprio contorno da vida.  Que exige forca e confianca em sua total liberdade.  Carencia e sofreguidao expostos, sem nenhum aspecto de materia ao caminho. Simplesmente ser.
Ainda tenho resquicios na memoria de meu ser.  Mesclam-se as inevitaveis batidas do relogio que os levam para a frente, apagando as sensacoes.  Camuflando as interrogacoes do que, um dia, foi so desejo.  Ensinando que a melhor arte e a de nao nos expormos, para que nao, dela, advenha sofrimento.
Volto a questionar meus pedidos, que deixaram de se tornar suplicas.  Olhar para mim ou nao e funcao de seu proprio reconhecimento como ser humano e homem.  Eu, simplesmente, estava parada a margem de um rio, olhando voce, que passava sem se dar conta de minha presenca, na nossa eterna falta de compasso, duas velocidades desiguais.  Dois argumentos panteistas que se chocaram. Mesmo ao belo, um so destino.
O que farei com a nossa vida genial, como perguntara Ana Carolina.  Nada, pois se me e o que resta a fazer.  Articular um paradeiro na lembranca, onde imagens e sensacoes se sobreponham, deixando um pequeno legado.  O momento em que voce passou, e nossos olhares se encontraram, rio correndo, e eu, a margem.
E que seja assim.  Nao me desfiz dessa fotografia, e saberei guarda-la, ao meu prazer.  Uma imagem nao perdida na memoria, rabiscada pela caligrafia atormentada dos momentos que se seguiram, passionais, em sua maioria.  Verdadeiros no seu nao realizado, talvez com vontade, ao menos, de lutar.
Que me pesem aos ombros os infortunios do nao conformismo.
De tentar enxergar o belo sem fronteiras ou formulas.  Cuidando ou nao de mim, um preco.
Acreditando nas possibilidades da vida, como um todo.  Talvez sempre.  Nao ha motivos para o retroceder.
Onde estarao suas perguntas, nao saberia dizer.  Num lugar onde voce exija o que de mais verdadeiro puder encontrar, se houverem forcas.  Onde a conquista sera somente o seu proprio direito ao querer.
Lugar em que arrependimentos se calem, na vivencia da saudade, o maior presente.
Num rio sem paradeiro e, por isso, livre em suas respostas.