sábado, 8 de julho de 2017

Um porto seguro ( Desejo pelo real )

Quando seus olhos encontraram os meus, calei.  Por opcao, diante das imagens que as via, crescendo.
Eles me sorriam de um modo tao inebriante, que so soube ficar quieta.  E, e no sentido dessa invasao, que me guardo.
Quando as palavram nos tomam, soltas, o melhor armisticio e o olhar.  Profundo e desejoso da busca, volupia, por si so, e carinho.
Seu sorriso os acompanhou, e me desfiz em deleite.  Na sua presenca desejada, no ardor que meus sentidos insistiam em ocultar, na vontade de um novo encontro, recomecado.
A conversa nos levou a dilemas e rechacou, de nos, o desejo.  Preso em mim por voce, eu, estagnada, vivendo sob o ceu das lembrancas.
Do grande momento passado, em que os sentimentos se fizeram fluir, saudade do que ja nao e mais.  Vontade de romper barreiras e gritar.  Que me voltem a ternura e a busca, onde nao se sabe mais o paradeiro.  Escondido sobre as nevoas de duas consciencias com medo e, de la, que somente covardia brotou.
Triste quanto lindo e o encontro dos que sabem merecer.  Vivendo uma paixao nao agonizante, tornada em resquicios de sua propria sede de amar.
Aqui estou eu, mais uma vez, so em minhas lembrancas, acalanto da escrita, verbe por onde jorra o silencio do meu amor predestinado.  Pois se, de nada sei, como dar nome a sentimentos que ainda vagam, pedindo a licenca de existir, como um presente em sua lapide, ou algo que jamais foi.
De um nome a lembranca, lindos olhos, prescrutando o sereno, falando por si sos.  Antes tivera eu neles confiado, e nossos dialogos seriam mais doces.  Que a forca das palavras cortou como uma faca qualquer possibilidade de afago.  Num sorriso lindo, um rosto dicepado pela agonia do conflito premente.
Lembro-me dos olhos, negros, nitidos, tristes por ora, calculistas de tanto.  Refletiam minha paixao, como um semblante mirado em aguas limpas.  Em sintonia com seu sorriso, e a vontade grande de eu me perder em voce.
Escrevo, almejando o mundo da nao mais aventura.  So conforto e estabilidade, e alguem que, de mim, tome conta.  Um ombro, maos e labios que me seduzam na poesia da aventuranca.  Acreditando nas novas chances a que as estradas da vida possam conduzir.  Apostando na intuicao de meus valores, e na sublimacao dos meus afetos.
O passado toma conta, premente, do meu longo aceno de despedida.  E se faz calido, ave soturna, a me desejar felicidades de encontros.  Nos momentos regados por mim mesma, daonde fui, e para com o destino que tomarei.
Vago, porem, ja a procura.  Do meu eu, que recusa a solidao, e anseia momentos compartilhados.  Da necessidade nao minima do dar e receber.  De uma certa conviccao interna de que meu modus operandi verteia novos rumos.
Deixo-me levar a poesia do conceito incerto de um futuro, a quem minhas maos nao sabem a doacao, tao somente a vontade de um abrigo seguro.
Pois as naus de tempestade me tomam, deixando seu registro de calmaria, ao qual me entrego.  Na minha sanidade ao escrever a vida, e vive-la tao somente possa.
E e o relembrar do sorriso e o olhar que celebram a saudade da nostalgia, ja transformada em tempo de espera.
A vida segue seu rumo e, com ele, me vou.  Deixo-me sentir ao calor dos ventos, e ao Sol que abunda seus raios.  Fazer as preces de meu contentamento, e celebrar minhas vitorias no mundo dos homens.
So, muitas vezes so, como agora.  Novos alentos virao e, quem sabe, outro belo sorriso e olhar a serem contemplados.
Esperarei pelo que, quem sabe, vira.  E me fortalecerei de um passado que, ao futuro, nao nega seu abraco.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A dor de um pais ( Como seguir )

Excluir um presidente do cenario.  Resposta vaga.  Quem dita as leis que operam a dominacao do poder ?
Por um fio suspenso, o pais paira.  Nutre-se da vontade ambigua de eleger, como se num vacuo escuro, abismo que se abra, solucao a galope.  A ocupacao de um cargo simboliza a retomada de funcoes coniventes, sem que esse pragmatismo seja orientado numa direcao que, realmente, convenca.
O que esta em jogo e mais do que uma simples formula.  E a possibilidade de se cortar o status quo pela raiz, e fazer do processo politico a verdadeira representacao do anseio de uma nacao.
E a pergunta se faz.  Quem e o povo que elege seus condutores.  O trabalhador explorado, ja minguado em seus direitos desde sempre.  A classe media conservadora, avida por personificar seus direitos.  Nos dera a elite usurpadora, expressiva em sua minoria, algoz e leviana.
Realidades multiplas de um pais de proporcoes continentais, que nao avalia a dimensao de suas grandezas.  Nao conhece as vertentes de suas culturas, e se auto discrimina a cada acao praticada.
Roubemos o pao da boca dos menos favorecidos, pois morrer e tarefa facil.  Estimulemos dogmas religiosos que segreguem os homens, colocando-os no carcere de sua propria mediocridade.  Deixemo-los ir aqueles que tiverem chagas, pois o inescrupuloso e o que segura o foice que estanca todas as gargantas.
Assim se faz um pais sordido.  Onde a esperanca de muitos e carta marcada para aqueles que visam o lucro.  Como gado esmagado, pele queimada, uivos de dor.  Caminha meu pais com a sensacao compartilhada de que a morte nao seja mais artigo de consumo.  Esta a solta e espreita, ceifando inocentes, minorias, cores, e varios outros matizes.  So por estar.  Porque morrer vale a nao dignidade do que nao e, minimamente, cuidado.
Meu pais abre os olhos, mas o grito ainda e abafado.  Seu coro merece vozes e determinacao.
Para.  De vez enfrente a luta, porque a nao produtividade e o martelo que espancara o rosto dos donos do poder.
Medo, pelo que ?  Honra usurpada, fome nas bocas, prostituicao a cada consentimento dado para que o caos permaneca.
Houvera sentido em falecer porque uma bala atingiu o inocente, carecesse perdao aqueles que nao respeitam a carne, valesse a perjuria de promessas esfaceladas pelo caminho, seriamos todos um so.
Mas se lhes falta o leite, uma crianca se vai, ou um trabalhador nao e respeitado, no seu minimo direito de tentar ganhar a vida, as perguntas ficam sem resposta.
Por onde se exale, a dor existe, credula, movel e carente.  A desafiar o mundo dos homens com sua forca e intensidade.
O caminho havera, e sera de luta.  Por uma dignidade perdida, e conscientizacao arrancada pelas vertentes do sofrimento.
Quando cada um se outorgue o direito de fazer valer sua voz, em proveito de uma vida digna.  Sons que nao se calem, nem ao sopro de uma vela.
Ideais que, absolutamente, seguirao para ficar.  E honrar seu direito para com a propria vida.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Escrever um ganho

Escrever a vida e como ganhar a dor.
Ela, que se esconde por entre as palavras e sai, miuda, querendo cantar.  Porque os acordes do sofrimento fazem um unissono com meu coracao, que nao bate tranquilo.
A vida se passa, nos momentos que vao.  E o pranto recebido nao mais se traveste em saudade.
E bloco macico, cimento do esquecer, loco do aprendizado.  E, por entre os rios que correm, vai levando o legado caudaloso de uma so experiencia.  O sofrer, que se faz continuo, porem, nao inesperado.
Nos seus momentos de ternura, o mundo dos homens parece perfeitamente concebivel.  Das nevoas, veem as perguntas e o cansaco dos desencontros.
Mas a vida e como procurar chaves.  Nao ha que decreta-las perdidas, ate que nos convencamos de que tudo fizemos para encontra-las.  Sem do ou piedade, no caminho, certo ou nao, de nos mesmos.
Por isso hoje sorrio ao homem da tabacaria.  Muito embora nao as mesmas perguntas, nossa emocao e a mesma, por questionarmos o nao sabemos o que.  Por nossos olhares se encontrarem, de um atimo.  E de como o mundo dos homens, sorrateiramente, nos pregue as mais variadas falsetas.
Hoje e dia de brinde, muito embora nao haja um porque.  Dia de lagrimas, ao tudo que se vai na concepcao humana do que possa ser realidade.  Nao aceitacao, em que criancas chorem por um prato de comida.  Mas e somente a fome, a qual nao passo, pelo menos fisicamente.
Minha alma transborda a compaixao dos que se sentem predestinados.  E tenta alcancar um bom motivo que a sustente ao chao, nivel das adversidades sempre presentes, nunca olvidadas.
Nao chora, nem ri.  Esta limpa de vestigios e, para onde caminha, o azul e so, doce e cristalino.  E o branco do fim dos sentidos ja deixou sua marca de morte.
Assim caminhamos, obtendo do pao da vida agrurios de bons ventos e naus de tempestades.  O homem da tabacaria novamente me acena, num sorriso cumplice de compaixao, e nao mais pranteio.
Somos humanos a deriva, egoisticamente formados a semelhanca de nos mesmos.  A morte nos confere a dubeidade dos sentidos, com a dignidade dos deuses, presentes em nossas formas de criacao.
Ao ser humano, o enlevo de sonhos, e o acordar da finitude, sem mais.  Aos dias que se passam, e uma unica certeza.  A mais correta possivel, daonde nada sabemos, agente transformador de tudo que ai esta.
Isso sinto e escrevo, perfeitamente sabedor e que nao veja que sao cinco horas do amanhecer, e o Sol, que ainda nao se pos sobre a janela, ainda assim se o veem os raios, por cima do muro do horizonte.
Calido plagio, Pessoa.  Tambem espero as manhas, depois das noites incertas e escuras.  Elas veem, e reluzem sua claridade, me tomando com seu brilho. E reverencio o poeta.
Escrever e da vida um ganho, em que o jogo e simplesmente existir, com em sendo unicamente a nos, fruto do incerto, caminho das naus, essencia do porvir.
Que minha vida obtida, pairando sozinha em minhas maos, um doce afeto de mel, e uma longa despedida.
Num desfecho unico, macio e brilhante, inundado pelo Sol de minha consciencia.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Homens de mim

Quem sabe isso quer dizer amor.  Eu nao sei, e me diga quem o saiba.
Naquela noite, em que encontrei seu rosto, e procuramos nosso lugar para nos darmos.  Na magia do acontecer, um encontro breve, onde a paixao resplandesceu tao rapida, como a fuga.  Assim lhe amei.
Nos meses prolongados em que passamos juntos, eu, repleta na vontade de ser sua, bloqueada  por meu corpo, que recusava a entrega, me surprendi sendo eu mesma.  E do momento recordo, naquele abraco de satisfacao plena.
A voce, que me proporcionou o orgasmo fundo e nitido, sem que eu nao tivesse me dado conta do quanto eu o queria, meu momento e seu.  Na alegria de poder conserva-lo para mim mesma, mesmo quando voce se foi.
Tantas recordacoes e atimos, breves, que se perdem na fusao de um tempo continuo, e na efemeridade dos que sabem o fim.  Pois a paixao nada mais o e do que o sonho do momento que foi, na perpetuacao do que se sabe efemero.
Como um trofeu, pelo ganho de uma parcela de ternura, gozo e entrega.  Sem paradeiro, a paixao se refaz em si mesma.
Sem nomes, todos parte de um mesmo cenario.  Eu mesma, vendo rostos que perfilaram em minha vida, sem que eu soubesse, de antemao, as casualidades do meu destino.  Nao fora o sofrer parte da volupia do se dar, e estar presente, corpo e espirito, buscando nao estar so.
Homens de minha vida, eu possuida, nao menos dos que os senti em mim, a todas as vezes em que houvera um encontro.
Eis-me aqui, como se estivesse me dedicando a um livro de reliquias.  Das mais tenues as mais cheias de volupia, os retratos do passado sao remendos que amainam minha solidao no presente.  Incerteza no futuro, ao que meu corpo respondera.
Nao tenho magoas, no limite de minhas reminiscencias  A constatacao do fluir com meu livro de memorias, so, insistentemente, meu.  Recortado em varios anagramas,  pedacos em letras, suaves compensacoes.
Leiam-me ou nao, sem mudanca no correr dos fatos.  Estou inteira, a merce de meus proprios jogos, entregando-me as conversas do meu eu, sempre leal.
Pois que, delas, retiro a suavidade da bonanca na claridade dos meus proprios sentidos, e vivo-as comigo, deixando o real a merce de sua propria duvida.
E, de algum modo, preencho os vazios que me ficaram pelo caminho, nas interseccoes de minha vida, tangenciada pela sombra de meus homens.
Minutos nao contados, na relacao da felicidade com o tempo, em que a espera nao termina.
Deixem-me amar mais um pouco, ou nao.  Fiquem dentro de mim, ate que eu, propria, me renda.  Balbuciem meu nome na forma mais tenra e carnal, pois quero tudo isso, no mundo em que me transformo.
E serei eu a gozar o sempre, sem querer, ou com sentido.  Consentindo o que era antes, passado que me desdobra em lembrancas, eu, que caminho para a morte.  Sem adeus, mas nao triste.
Valeu viver.

domingo, 11 de junho de 2017

E linda ( Anagrama de uma foto )

Sua fotografia era mais do que peca de cenario.  Figura marcante, encontrada ao leu, por entre as sombras de meus pertences.
Ate que, um dia, o passional se transformou em momento de realidade, e me despi, lhe rasgando aos pedacos.  E, tao como julguei me desvencilhar de voce, novamente procurei minhas amarras, naqueles residuos de papel que, a despeito, ainda conservavam sua imagem inocua.
E, assim, convivemos, eu, voce, um retrato em branco e preto, disfarcado em saudade.
Fale comigo, me abrace, se ainda ai esta, e me olha, prescrutando palavras que nao sei, nas dores que senti.
Contentei-me em estar a sos, desnuda, para voce, minha fotografia.  Amigo ausente, amante incompleto, homem menino, nada mais a desejar.  Tao inteiro num quatro por quatro, tao pequeno no espaco de minha vida.
Poderia escrever muito mais, eu, que sublimo as emocoes do que esta por vir, e brinco sem medo, na retorica do meu pranto nao contido.  Do corpo que expus, e da sensacao estranha e fascinante, que e ter possuido voce dentro de mim.  Louco e efemero como so os momentos que nao se traduzem, magicos.  Aterradores, se trazidos ao convivio de expectativas que nao se cumprirao.
A paixao torna os cegos a subjugacao do querer.  Aos corpos a venda, ao sentimento a prostituicao.  Tudo isso refletido nesse rosto que encaro, ate nao mais poder.
Rasgo-lhe, dilacero, o que de real restou.  Nao mais voce a minha comoda, mesa, enchendo meus pulmoes de ar que nao respirarei.  Sou o momento novo, costas viradas aos atimos, presentes regalos do passado, em todas as suas vicissitudes, tao cheia de paixao na destruicao como, quando o fora, na entrega.  Voce se foi em mim, e meus restos cremarei.
O tempo se reverencia, tanto quanto todos os minutos do relogio que, a frente, pulsa.  A vida toma seus contornos, e a rotina conta do enlevo, que um dia so foi.
Outras procuras virao, outros papeis, demandas, e eis-me aqui, com outro retrato seu que achei.  A mesma foto, no mesmo documento, pedindo-me para ficar.  Eu, que nao sei de amarras, que nao o meu proprio desejo por sublimar a paixao.  Voce, que me olha, ou nao, mas ainda esta, comigo, meu quarto, mundo, ainda parte dele.
Com fatalismo, recebo, novamente, sua presenca. Conservo-a, desde que nunca se foi.  Pedindo-me o que minha fantasia nao nega.  Subtraindo, quem sabe, sua ausencia real, no todo imaginario de um momento que aconteceu, perpetuado.
Sigo-a, ate que me deixe.  Ja nao tem data, mas uma certa resignacao.  Das paixoes que ocorrem sem sentido, senao, talvez, nao as seriam.  Da inspiracao que marca linhas infindaveis, seu rosto presente, na ausencia do tempo.
Que pode te-lo levado para muito longe, alem dos caminhos indivisiveis da alma e do pensamento.
Restamo-nos, inertes.  Voce nao mais dentro de mim, e eu nao mais sua.  Apesar de, uma foto, que relembra, em si, uma historia tao absolutamente especial em sua trajetoria.
Se valeu sofrer, nao sei.  Quem sabe, sera sua foto, um dia, a me descobrir a verdade dos fatos que nao se explicam.
Um anagrama, so ternura.  E linda.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Bullying nunca ( Competicao entre colegios )

As aulas de historia sao sempre deliciosas, porque me vejo num mundo que se abre, e traz a visao de novas realidades.
Sou pequena ainda para formular criticas em relacao a historia de meu povo, por isso me contento em sabe-la pelas falas tradicionais de professores que obedecem, languidos em seu curso natural, a ordem dos fatos imposta pelo status quo que defende o poder.
Interesso-me por uma descricao que conceda opulencia aos invasores e, deliberadamente, esqueca os subjugados, e minha nota e a maxima na prova bimestral, sem que eu tenha me dado conta do valor dessa pretensa vitoria.
Somos tres alunas que viajam o topo, a derradeira nota dez.  E e a sorte que me consagra como a representante do primeiro ano ginasial, na competicao entre colegios, que ocorrera no programa de televisao.
A responsabilidade e grande, e nao menor do que a tensao em ser representante da sabedoria incasta de uma torcida inteira, focalizada na minha tentativa de acerto.
Sou chamada pelo apresentador.  Vozes se calam, e o silencio atribui a minha condicao um reles papel de vitima.  Das expectativas concentradas em mim, e do meu medo em fracassar,   Que se traduz em absoluta negativa em tentar buscar a resposta, em meu cerebro, a pergunta que me e feita.
Nao sei, deixem-me voltar ao meu assento, e ser nao mais do que eu mesma.  Uma adolescente insegura e passional.  Viver a nao gloria dos vencidos como possa.  Sem sequelas e arbitrariedades, pre julgamentos de quem enxerga, so na vitoria, a manifestacao do correto e sadio.
Alunos me julgam, dedos sao apontados, e meu peito urra de dor.  Eu nada pedi, apenas estudei o que me apreciara.  A competicao toma de assalto uma alma ingenua, tentando galgar as vicissitudes da vida.
Regressar a sala de aula e mais uma provacao a ser enfrentada.  Existe a punicao, exercida por um professor decrepito, que nao conhece as regras minimas do bom convivio, e arrisca sua metodologia para humilhar o que nao se prove como extensao de sua propria prepotencia.  Submete-me a escrever o nome omisso de minha memoria, de quando a pergunta na TV.  Um livro de 400 paginas, 800 vezes o nome Lourenco da Veiga, ligado aos governadores gerais.
Meu caro professor de historia, venho por bem declarar-lhe que eu, e outros milhoes de adolescentes, mundo afora, nada temos que provar a ninguem.  Nossa curiosidade e instintos vem do genuino desejo de perseguir o saber, e nao por uma ganancia egolatra de expo-lo.
Hoje, ja bem mais velha, elaboraria outras criticas.  Desconfio de capitanias hereditarias, governadores gerais e bandeirantes.  Nossa historia foi banhada em sangue dos que foram poupados nessa narrativa, que salientou, e ainda o faz, o nome dos donos do poder.
Para os estudantes que, ao inves de celebrarem minha tentativa, fizeram por bem rechacar e exponenciar minha derrota, e inevitavel que se use a palavra bullying, para se definir seu comportamento incidioso.
Dos que permeiam uma sociedade corrosiva, onde criancas e jovens sao inseridos, desde cedo, num mundo de cobica onde nao fazem parte, meu repudio.
Ao modelo competitivo que tenta nos escravizar o modo de pensar, desde a tenra infancia, o meu nao contumaz.
A todas as formas de bullying que corroem nosso mundo, transvestidas de boas intencoes e altos ideais.
Errei a resposta, mas ganhei a vida.

sábado, 27 de maio de 2017

Rotina ( Passos nao dados pelo mundo dos homens )

Rotina.  Da procura dos pequenos momentos de prazer.  Do abraco longo que se esconde, por entre as imagens.
Livro, e sol la fora, a tarde caindo, o dia num sorriso.  E eu, me procurando o momento, sem saber, ao menos, o direito de existir.
Vou me lembrando ao sabor do vento que evoca o barulho dos carros, e um relogio que bate, avancando seus momentos de encontro com a vida, eu, como ser unico.
Que se me faca, em entendendo algo.  Seja um pensamento ou destino, minha leve procura, nas respostas do mundo dos homens.
Curvo-me frente ao casuismo dos encontros baratos, na minha dimensao de ser pensante.  E esqueco, voo, ate nao mais ser.
Sentindo so em mim, pulsando o breve, vivendo a nao presenca.
Rotina.  Preenchida pelas cores de uma tela, nada mais se ve alem de seu conteudo, inerte, a procura, mas meu.  Resultado de momento e entrega.  Num mundo em que se insiste olvidar, para a caricia nao mais existir.  Em que as cores do alento nao se distinguem na mesmice.  O pranto chorado o nao desejo de paz.  As mentes o resultado de tamanho desencontro.
Do que gosto, a mare a brisa, e o sabor do corpo, o tempo se esvaindo breve, correndo solto em sua sequencia.  O silencio do momento certo, e nao da dor.  Felicidade contida num bouquet de flores, que se espalham as vistas de meus olhos, tantas vezes cansados.
Rotina.  Pelas lembrancas que se esvaem sem um porem, nas recordacoes que ficam, e nos olhares que nao se apagam.  Olhar-me ao espelho, e descobrir o segredo da juventude que la esta, me desejando saudade, nem menos brisa do que outrora so.  Bate feliz e calma, outras horas arrebentando o peito, saudosa a nostalgia do momento que nao se foi.
Entre meus bracos calados e olhares sensiveis.  Uma solidao constante, entre os espacos de mim mesma.  O nao entendimento dos jogos que correm a minha volta, no desejo eterno de somente ser crianca.
Rotina de sons, luzes e cores, e o que me apequena ao mundo, num projeto de paz, num sentido mais amplo, ou somente encontrar.  O desencontro de linhas, quando ao lembrar Caieiro, vislumbro os contornos da minha morte, em apenas redencao, se na primavera eu me fosse.
Faria de mim um soneto para as criancas, sempre vivas, em minha memoria.  Aos jovens que nao esqueco, no seu eterno desejo de mudar.  As musicas tocadas por todos os instrumentos, em unissono com o barulho das flores.  Sentimento continuo do avanco dos passos, que nunca se perdem.
Momento derradeiro, leva de mim um sopro, sem me deixar, ou nao, em vida.  Resistirei, do alto de meu mais profundo pranto.
Direi adeus, num murmurio.  Encontrarei consolo em minhas linhas, para me esquecer, ao certo, do mundo dos homens.

domingo, 21 de maio de 2017

Fotografia de um semblante

Perdi voce, mas nao a mim.  Num jogo de marionetes que insiste em reviver seu rosto, varios angulos de um mesmo sentimento, talvez.  Que nao se alinham, frente aos momentos de memoria.  Vejo sua seriedade, e nao entendo, sobretudo, o tom da palavra amor.
Ser ela feita de desejo incontido e sede pela frustracao, encontro ao nao definido ? Nao sei, mais do que ainda me aposse um sonho de palavras, mal articuladas, voce.
Ainda que parte de um mesmo real imaginario, sao fantasias que transbordam, a merce dos meus sentidos.  Simplesmente estou e vibro, sabendo ser essa a nao factual prova de realidade.
Mas seu rosto me acompanha, quando abro gavetas, e nem ao menos me sorri.  Presente esta como se ocupasse um lugar cativo de recordacao.  Com ele falo, dele me recordo, e sigo meu dia, mergulhado numa realidade fantastica entre a presenca de uma fotografia inerte, tampouco viva, atestado do nao esquecimento, cobradora, talvez, do reciproco que o tempo se encarrega de levar para longe.
Voe comigo a distancias nao conhecidas, paradeiro dos que se encontram so em poesia.  Onde as diferencas regem a ternura da transformacao, e o compromisso seja apenas o direito a viver, em si tanto.
Mas as distancias ocupam o lugar dos sonhos, e a melancolia toma vulto em rotina.  E traz sua fotografia para perto de mim, arrastada pelas mares e pela areia branca da praia que existiu, na sua voz que nao ouvi.  Na certeza de que as paixoes se extinguem como um flash tao rapido, fortuito o sorriso, seria sua expressao.
Nem triste ou alegre, vou contemporizando a acao do tempo, que vai deixando suas marcas a sequela de uma paixao nao vingada, em seus momentos de ternura, irascivel em diferencas, pequena ou grande, ja nao se importa.
Saboreio o reencontro a algum lugar de mim que pareca familiar, e obstinacao ao seu desejo de realidade.  Menos sublimatorio, mas vazio no seu querer, recheado de verdades, para continuar seguindo.
Pois se o mundo o e o encontro de momentos, sejam eles um maior desafio, ou nao.  Faca-mo-los inteiros e dignos de nossa propria coragem, do medo inerente apenas mais um obstaculo, da transgressao um rumo definido.
Perdi voce em me perdendo a mim.  Se nunca tive o que nao poderia abdicar.  Tao doce, inseguro e incompleto.  Para mim, tao carente de todos os afetos.
E me sigo, pois nao ha que se parar a mola propulsora.
Mas abro as gavetas, e sua foto esta la, me lembrando de nao esquecer, e tirando algo de indecifravel, a cada momento dessa contemplacao.  Um pequeno pedaco de voce, que um absurdo passional transformou num minusculo pedaco de papel.  Um semblante serio que indaga, e me traz, a tona, as perguntas que eu tiver.
Ou simplesmente me olha, atraves da distancia dos tempos, para que eu nao me olvide de lembrar.
Como uma cerimonia, o faco, sagradamente, dia apos dia, sem que me abstenha.
Num pacto, como se me comprometera a ser luz.  Sua luz.  A luz de voce em mim.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Ultimo capitulo

Mais uma despedida. De minha mae, que se foi.  De voce, que abandona minha vida, e de mim mesma, que volto, a sentir meu prumo.
Nas mesmas linhas que aproximam o reencontro, me faco inteira, pedacos de mim mesma.  Para continuar seguindo, sem maculas.
Malas por fazer, me esperam o peso dos anos, e a vontade de me deixar levar ao amorfo, para onde o incognito e a unica resposta.
Dei-me a vida, e dela me deixei, como um sopro.  Enterro minhas lagrimas em lugar onde o sofrimento e somente brandura, e a forca o moto necessario.
Sou, por isso me pertenco.  Ao que meu choro de mim faca parte, e ajude a enterrar o silencio dos mortos.  Para onde a distancia voe, em meus projetos de futuro, e o presente somente um no na garganta.
Da ferida estanco o sofrimento, de onde minha alma velada se faz coro.  Mas nao grito aos infortunios, nem ao menos crianca.  Somente mulher, no todo os resquicios de mim.
Encerro mais um capitulo, como quem usa uma pena que cai, num movimento parado no ar.
Amanha viajo, sobrevoando todos os oceanos.  A certeza incerta do resto dos meus dias se deitando sobre um jardim de flores, delicadas, presente de mim mesma.
Salve o brado de musica aos meus ouvidos, lirismo que obedeco, no mundo em que nao existe o perdao.  Carinho camuflado, e esperanca contida, existo sem, ao menos, sentir a essencia do meu ser.  Para que tanto, se o todo e pequeno, e as palavras nao atingem.  Se sou restia de Sol num continente assolado pela seca.  Dos coracoes, um ultimo lampejo.
Tristeza que ha em mim, habite meus dias contados.  O porvir nasce de um sonho, e me obrigarei a voar, sem medo.
Sem medo, simples, eterea, amorfa.  Como a morte de meus dias sofridos.
Como a esperanca, a brilhar em seu jazigo.

Pranto sufocado

Indo embora, sobrem lagrimas.  Tao longas quanto meu sofrimento, ou pequenas para enfrentar a dor.
Deixem meu murmurio subito enfrentar seu leito de morte, o gosto amargo do pranto, pela injustica cometida contra os homens.  Sem chorar, o perdao e por mais uma lagrima deslavada, e seu murmurio incerto, num rosto que desaprendeu a lagrima.
Tente, ao menos, num derradeiro instante de ternura, o quarto escuro, na penumbra do desconhecido, o amor que se foi ao longe, a insensatez dos que cobram o racional.  Nada a esperar, que nao seja o murmurio das ondas, na empatia que so a natureza consentira,
Sentindo seu cheiro, pensando em voce e em todos os espelhos do mundo, refletidos em mim, sou fantoche.  Ando a espreita, procurando o nada que se faca conteudo, o incerto que percorrera minha vida ate meu leito de morte, por cima uma aura que fira a brisa miuda dos momentos de emocoes.
Viajo nos sonhos que tem encontro as lagrimas, e as pulso dentro de mim, na certeza e na coragem, e no pedido para ser.  Libertem-me, deixem-me chorar, pois nao ha pulso mais forte do que a nao entrega dos sentimentos.
Nave mae, perdoe-me se subestimo minha forca, mas so posso fazer guardar as lembrancas em algum canto de memoria, para nunca mais voltar.
Resta-me farta ao saber, eu, que desapareco faco no horizonte, para voltar depois de jogadas as cinzas ao chao.  Um dia voariam, por sobre a espiral de um tempo que ja corre, pedindo minha existencia viva.
Fica em seu sentido, deite-se sobre a eternidade, o momento e outro que nao pedir adeus.
E a ternura, incomodada pelas maos do destino, e um choro calado, esmiucado pela covardia em nao se expor, simbolo proprio do medo a solidao, atimo em si, so de grandeza.
Quero encerrar, sem o conseguir, travestindo a magoa, superando o desapontamento, vestindo a utopia de um azul indefinido.  Para nunca mais voltar, a todos os rostos que signifiquem realidade.
Um choro que nao esta, desaparecido nas entranhas do meu eu.  Faca-se vivo, forte essencia, e me torne sentidos.
Pranto deslavado, sufoque minha garganta oprimida, e serei apenas eu.
Sem nao mais ter, sofrimento acabado do fim.  Adeus.

domingo, 30 de abril de 2017

Ida e volta ( Estrofes de um amor imaturo )

Mais uma vez tenho o titulo, muito embora as palavras nao engendradas.  E, dessa vez, voce nao as lera, presumivelmente.
Nao nos atravessa um oceano de mares, tao somente o de emocoes e realidade.  Mesmo assim, sonhei, me antagonizando as certezas de que a vida escolhe momentos, e nao os substitui.  Sem a certeza de nada, que nao fosse a ausencia de lhe reencontrar.  Num ato minimo de coragem, e abertura ao novo.
E assim me olho em volta, e vejo malas a fazer, e a consistencia de um bilhete marcado.  Vou-me, tao quanto idas significam abandonos e locais de partida.
Como tantos sonhos efemeros, esse e um retrato distoante.  Nao olharei mais seu rosto, numa sensacao longiqua de que tudo desaparece no horizonte, como seu sorriso, loucura, ou voce dentro de mim.
Macio, o toque das recordacoes se assemelha a um pranto chorado leve, em que o valor da saudade e unico, e muito mais veloz do que o tempo.  A significacao da perda um macico que se choca ao chao, adribuindo-lhe a sensacao de morte, qual uma pequenina esperanca de um contexto volatil. Tao quanto a breve uniao do meu corpo ao seu, do qual, meramente, conheco a geografia.
Tudo se perde numa espiral, e desce a terra, como o po que se esvaiu.  Essa viagem significa morte, de vivos que nao retornam mais em seu adeus, e eu, caminhando por sobre um jazigo tao indesejado, em minha memoria.
Mas voce me acena, de muito longe, pedindo para que eu me va, e nao sofra.  Dificil, pois ainda sonho, no concreto das minhas aspiracoes, eu, tao menina, sonhadora, crianca.
Para nao mais ser, nao ha culpados, nem, tao pouco, vitimas.
Resta-me arrumar as malas, e partir, como partido esteve meu coracao, desde o momento em que lhe conheci.  Ou, pelo menos, nesse momento, em que enxergo a liberdade da solidao, sem medo.
De voce, guardo um par de frases, lindas, emblematicas, talvez dirigidas a mim, frutos de outro momento.  Em que voce era meu leitor diario, e eu me deleitava tanto ou mais, a me olvidar de mim mesma.
A mesma escrita que nos uniu, separou, porque eu nao acreditava nas correntes das minhas linhas, e queria que esquecessemos juntos as paginas que fizeram nossa estoria.  Para depois estar aqui, tao perto e longe, separada por um numero telefonico, que nao me ligou a voce.
A proximidade torna a distancia ainda mais inverossimil.   E e assim que celebro a minha volta, sem esse contato que nem soube sonhar, como se fora diferente pelo breve caminho em que minha vida cruzou a sua.
A vida e dos que tem coragem.  Para viverem suas ilusoes de peito aberto, e nao mascararem a rotina dos fatos.  Dos que gritam contra a mediocridade dentro de si mesmos, e nao abrem mao de seus momentos de felicidade, tudo esmigalhadamente triturado, uma viagem so minha, com direito a passagem de ida e volta.
Vou-me, para onde meu lugar seja a incerteza do futuro, um pranto parado na garganta.  Sobra-lhe a vida a galgar por entre anos de juventude, do que realmente tenho ciumes.
Enterro, como farei, recordacoes do passado, sem perder o gosto pelo bom que ja se foi, e a dor do que houvera nao sido, no nao se permitir de cabecas veladas.
Faltou amor, paixao, o tudo. Faltei-me, sem mais, para nunca mais chorar.
Proxima partida.  Eu, que ja me fui.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Se eu quiser falar com Deus

Se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sos.
A sos seguirei pelo meu caminho, que me trara ao comeco da velhice.  Ao que nao sei e me amedronta, e do qual nao faco calar.
Ao mundo dos homens, as vezes tao absolutamente hostil, quanto terno, em oposicao, possa ser o sorriso de uma crianca.  Sem mais, tantas antiteses em choque, no coracao somente o belo.
Hoje andei pela praia, o que, ha muito, nao fazia.  E senti a areia sob meus pes, e o contato fresco da agua a banha-los.  Como se fosse a catarse de dias sofridos, o mar recolheu minhas lembrancas e dor, enquanto eu, so, simplesmente andava.  Apenas, sem mais, numa tregua ao desalinho, dando como ponto final a parada longiqua de um trem que se perdeu pelo caminho, seus vagoes vazios, seu coracao cheio, ate nao mais poder.
E e por isso que nao me calo, em frente as minhas eternas linhas.  Peco contorno ao que nao tenha, que meus sentidos arrefecam, e que eu consiga voar, pairar por cima desse sentimento de nao pertencimento que me invade tanto, aos quais so o pranto da solidao alivia.
Nem sei se insisto em fazer ouvida minha voz.  Do que me vale o eco do respaldo de perguntas sem respostas ?  Hoje queria o lugar nenhum, nenhuma concha que me abrigasse e, talvez, nenhum consolo a vista.
Hoje me cansei de continuar tentando, e decretei a impotencia em mim mesma.  Num Sol que, talvez, eu o veja diferente amanha.  Resplandescendo o dia, tomando conta das mares, aquecendo os coracoes.
Hoje nao.  Quero luto, abandono, tristeza, rendicao.  Medos assumidos ou nao, brincar de ser pequena em minha forca.  Sem medo da derrota ao nao conformismo, ou ser eu mesma, e pedir.  Ainda que soe estranho aos ouvidos que me oucam.
Assim sinto os dias e as promessas nao cumpridas, dentro de mim mesma.
Mas sigo.  De alguma forma, coerente com o que ha de mim, buscando.  Quero o amor, que se me arrefece a cada experiencia que a vida me da.  Somente amar, os pes descalcos na areia sob o mar.  E um andar sem rumo definido, na tristeza e na dor.
E um abraco, reles, incontido, na presenca do meu eu.

sábado, 22 de abril de 2017

Existir sem volta ( Pelas calcadas do Rio )

Rio de Janeiro, fica brisa, pois talvez quem sabe.
Abrem-se as portas do incognito, e ouco muitas melodias, mas nao sei quem sou.  Simplesmente existo e pulso, me levando a emocao de um reencontro, do qual, nem ao menos, sei o paradeiro.
As ondas vao registrando seus passos doces na areia, e eu caminharei sem destino.  De que me vale sonhar, onde o acordar ja e realidade, e ocupa todos os lugares dentro de mim.
Depois que a tarde nos trouxesse a lua, o inesperado faca uma surpresa, sempre na busca de alguem.
Morros e tuneis do Rio de Janeiro, aqui estou, e me mesclo a essa cidade de pedras e desejos.  Lembro-me de minha doce Tiradentes, e me atiro ao asfalto da metropole.  Viajando, de lugar a nenhum, sempre a procura.
Bondes de Santa Teresa, dos quais me lembro tao bem, eu, aqui, Copacabana, capitulo num sonho, de onde estou ao barulho do mar.
De que vale o destino, quando a vontade e de nao ficar, somente ser.  Para brincar de surpresas que a sorte reservar, ou nao, sou uma menina a busca de um colo, tao somente, muito mais.
Rio de Janeiro, e seus quilometros de areia, onde nada mais do que um banho de mar, numa espuma que quebre minhas reservas, num pranto que cesse, sem portas de entrega.  Lagrimas que escorram em seu gosto salgado, sem pedir permissao, me lembrando de que momentos significam o que ha, nada mais.
Vou seguindo em minha intranquilidade do permitir, nos sonhos em que me acabo feliz, pois se desse o misterio que propulsiona.  Nada mais, num pranto que relativiza a essencia da vida.
Minha mae, viva, em frente a mim, desafiando a senilidade ao correr dos tempos.  Depois, um caixao que baixa a terra, como todos os outros, e mais uma vida entregue ao po.  Com todas as referencias de que eu possa ter tido, nada impede a onipotencia da morte em seu credito.  E e voce, que vejo baixar,  me sentindo eterea no espaco, completamente orfa, para nao mais poder.  Como se o destino me houvesse ceifado os pes ao chao, e eu existisse de uma forma completamente amorfa, ainda que viva, em corpo e espaco.
Rio de Janeiro, me abrigue, pois ainda tenho a chorar sob seu ceu.  Um pranto misto, feito de poesia, redencao, totalmente voltado a esperanca existencialista do ser eu mesma, saudades nao sei bem do que.
Se o amor chegasse, eu nao resistiria.  Porque resistir ao amor, bem tao caro, que so pede a entrega.  Junto a brisa, nao mais ser, total, sem medo.
Nao sei o que de mim, nesse emaranhado de morros e tuneis, sempre Copacabana, mais um paradeiro.  De mim que ja nao sei, por onde atravessar nao faz falta, a vida sendo apenas um segredo.
Do qual nao me olvidarei.  Presente completo, e ternura imensa.  O doce ato de existir, para nunca mais voltar.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Nave Mae ( Para Gittel )

Olhando o ceu de Tiradentes, nave mae, completo de estrelas.  O som da natureza se espacando la fora, e a imagem que fica e a de um caixao descendo a terra.
Como num sonho, a vida se esvai, e a noite vem.  E a areia cobre o que, em outrora, somente vida existiu.
Perpassa a minha alma o nao contar dos dias, e tantas cenas que ja de, suas partes, recordacao.
Pois foi assim que cresci.  Entendendo o nada e vivendo o presente, sem saber que o postergar e sinonimo intrinseco do caminho sem volta.
As imagens sobrevoam meu espirito e nao aquietam.  Tornam-se mensagens vivas de um tempo que nao se foi, e meiguice do que nao se perdeu.  Fluem num compasso de espera, onde a sapiencia da presenca da morte tomou vulto, forma e cor.
Doces luzes de minha meiga Tiradentes, que se me abriu os bracos com tanta ternura e generosidade.  Daonde vejo o Cruzeiro do Sul a cintilar suas cores, como uma bandeira.
Nesse dia de Tiradentes, em que aqui estou, e reverencio a insurreicao dos oprimidos, dai-me forca para continuar meu caminho.  Agora orfa, como se, de mais nada, existisse.  Uma parte da historia esquecida e tragada pela profundidade de um abismo.
Nao estou alegre nem triste, embora muitas lagrimas habitem meus olhos.  O riso encha minha boca, sabendo eu que a efemeridade, mais do que nunca, mostra o caminho da verdadeira existencia.
Nesses dias em que aqui estive, compactuei com a natureza, ouvi musica liturgica, vi uma igreja revestida por ouro e, em todos os caminhos, a brevidade se fez presente.  Como se ninguem ou nada, rumando ao incerto das emocoes desconhecidas, habitadas pelo mundo dos homens.
Do que sobra esperar, a paisagem posta a janela, e um doce sorriso terno da velhice a me acompanhar.  Minha mae, ja em seus ultimos dias, sem muita dor ou sofrimento, se despedindo do mundo dos homens.  Para nao mais voltar.  Apenas um caixao e uma lembranca, e um nome que ja se foi.
Sobra-me o ceu estrelado, na sua imensidao cristalina.   A bondade dos que me acolheram tao afetivamente, e a certeza incerta do eterno caminhar pela vida, fugindo as minhas maos a cada momento passado, daonde, mais orfao, sairei.
Ceu tao lindo, doce silencio, dos quais em minhas lagrimas me redimo, escolhendo, para sempre, o mundo dos homens.  Cores que me perpetrem a Mata Atlantica, e eu, sozinha, determinando meu rumo.
Poesia de um abraco, esperanca de ternura, eu, que do nada mais sei.
Somente desse ceu fulgurante que, de mim se abriu, ao qual chamo Tiradentes, sem pedir perdao.
Leve chuva, a um dia os compassos do tempo e de todas as musicas.  Fique tristeza, como parte.
Adeus nave mae, a leve, para longe dos espiritos, e perto dos ceus.  Ate um dia, nosso reencontro.

terça-feira, 28 de março de 2017

Atlantida ( Meu reino perdido )

Atlantida, no mundo dos que sonham, e tem na lenda a pura verdade.
Quero brincar de balanco, e me jogar ao vento, sem tempo.  E ir e vir, so me deixar levar.
Pesquisar o mundo da sombra dos meus conhecimentos, e me bastar aos meus sentidos.
Reino perdido, praia de aguas cristalinas e areia limpida, floreios na minha imaginacao.  Meu sonho prometido, do qual preciso o ninguem, me leve para longe.  Tesouro perdido que nunca encontrarei, nem tanto se faz a procura.
Atlantida, faz-me sua, de onde a redencao, eu so quero escrever, e preencher espacos fluidos, dona da minha existencia.  Que me bastem o sim ou nao, apenas dentro do que me entendo, e o de fora nao sucumba.
Faz-me inteira, digna e plena.  Reino perdido, onde corpos se alteiam, e o misterio se faz vibrante e cor.   Ao seu corpo, meu e de mais ninguem.  Eros, habite em mim.
Deixe-me estar, sem paradeiro, na verdade da lenda, ou nua e crua, tanto faz.  Encontrarei um sentido em minha existencia, para de onde o para la sejam so estrelas, no prenuncio da vida, que se trasformara em morte, derradeiro encontro com a materia, saudando aos que se foram.
Ate la o ceu estara ao meu lado, e as constelacoes brilharao.  Sinto amor.  E saudades me tomam, sem que a elas eu nao me despertenca.
Mas tudo e fluido, um pequeno cubiculo num gigante imenso, o cosmo.  Mesmo assim, me abrace, na minha solidao, enredo romantico de todas as associacoes possiveis.
Nao roube meu coracao, ja tao dado.  Nao me deixo abater, mesmo em minha volubilidade, pois carrego junto todos os sentimentos do mundo.
Abrace-me, so para eu saber que o tempo parou.
Mutante, no fundo sempre sozinho, seguindo o meu caminho, bordeando palavras, e imaginando caricias.  Tudo etereo, na vida feita de encontros ineditos, so esperar por ve-los surgir ao caminho.
Sou romantica, e assim seguirei.  Afinal, no enlevo que toma forca, so falta se colocar lilas, para ser totalmente lindo.
Brindemos.  Ao encontro fugaz da musica e dos sonhos, numa terra prometida de ninguem.  Onde a posse perde o nome, e o presente e a ausencia do tempo.  A felicidade, um atimo, que se toma as maos, e se vai, voando como cinzas postumas.  Derradeiro, enquanto breve, sublime.
Eu so quero me perder.  Para talvez nao me achar em nenhuma letra, e experimentar a coragem de me estar viva.  Beber agua com volupia, e matar minha sede.  E, depois, respirar, como se revivesse o nascer.
Meu reino perdido, onde todas as gangorras sobem aos ventos, eu so sei de mim mesma, se tanto.  Mas continuo, ao sabor deles, e por sobre a meiguice da agua.
Meu tesouro perdido.  O mundo e dos que sonham, e nao estou so.

sábado, 25 de março de 2017

Coragem ( Presente em si )

Voce esta me esperando, num gesto amoroso.
Depois da vista de paisagens bucolicas, so me querer andar a beira do mar.  Acompanhe-me, desfrutemos desse momento a brisa exposta, o falar pouco, na companhia presente e esperada.
O contato com a areia faz bem, e a mudanca de cenario encaixa seu rosto perfeitamente.  Como se, nao menos, desejasse.  Fiquemos assim, quietos, saboreando o silencio da nao mais solidao, no contato tenue entre nossos corpos, despertos.
Caminhemos de volta, meio ebrios, na leveza do nao saber o que se e, expectativa do que vira a ser.
Acompanhe-me ao meu hotel, e suba a meu quarto, sem pedir.  Tomemos a ultima, quem sabe nao derradeira, cerveja.
Beijemo-nos de um jeito so nosso, que perca distancias, unico. Longe do mundo la fora, no enredo de uma estoria de amor a dois.
Dispa-me tao devagar, quanto grande sua volupia. Narre-me uma estoria que so saia de sua boca, e me peca para ficar.   Toquemos nossos corpos num abraco, em que beijos febris so festejem.  Para fazer poesia, basta a vontade.
Gostaria tanto de que voce me fizesse uma massagem, branda, tenue, delicada. Sentiria a caricia de suas maos, e me entregaria inteira, nao importa para onde.
 Acontece quando o prazer se alia a vontade de carinho.  Quando remexer seus cabelos e tao doce, quanto sentir voce dentro de mim.  Chorar e pelo todo, desde os menores gestos.  Olhos  que revelem a alma, e deles nao mais se esqueca.  E uma boca que sussurre um nome, ainda que em silencio total.
Amemo-nos por um prazo nao estipulado, digno de nossa memoria.  Brindemos a despedida a cada abraco encontrado, e todo o beijo que perturbe nossos labios.  Sendo em ser, somente o momento de tanta grandiosidade, para depois o fim, tanto faz.
Fiquemos assim, sem arrependimento, tao apenas o que possa ser.
A cada destino, um futuro e desafio.  A nos, o presente em sua verdade.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Cerimonia de divorcio ( Novembro, 1996 )

Era uma segunda feira de verao, um calor insuportavel.
A data para a cerimonia de meu divorcio havia sido marcada com varios meses de antecedencia, o que me gerou muito mais ansiedade.
Viviamos numa cidade perto de Tel Aviv, quando nos separamos, mas como haviamos nos casado no Rabinato de Jerusalem, foi para la que a audiencia foi marcada.
Depois de viajar por algumas horas, adentrei ao Rabinato, cansada e nervosa.
Apesar do horario estipulado, tivemos que esperar por, pelo menos, mais uma hora e meia.  Isso depois de termos sido atendidos por um funcionario, que mal sabia nos orientar para onde seriamos encaminhados.
Foi com uma sensacao de temor que adentrei a sala, onde vi varios rabinos.  Obviamente, meu ex marido entrou comigo mas, para minha surpresa, foi pedido a ele que se mantivesse ao fundo da sala.
A partir desse momento, teve inicio o martirio.
Tres rabinos comecaram, alternadamente, a falar trechos em hebraico, interrompidos sempre pela palavra MEGURESHET, cujo significado, em hebraico, e banida.  Falavam algo, interrompiam, gritavam banida, em coro, voltavam aos seus trechos, quica biblicos, numa avalanche que soava, aos meus ouvidos, como uma torrente sem fim de improperios.
Essa agonia durou o tempo suficiente para eu me sentir totalmente humilhada e enfraquecida, enquanto meu ex marido, calmamente, assistia a cena de camarote.
Meu divorcio aconteceu ha 20 anos, e nunca mais me esqueci da sensacao de abuso psicologico a que fui submetida.  Ao julgamento feito pelos rabinos de que a mulher que procura sua liberdade, em um divorcio, nao deva ser respeitada.
No mundo moderno, em que as mulheres dividem as mesmas responsabilidades com os homens, sendo economicamente independentes e, portanto, nao se sujeitando a farsa de um casamento mal consumado, rabinos retrogrados e misoginos as condenam, no seu desejo em comecar uma nova vida.
Se pensarmos que uma crianca e considerada judia pois assim o e sua mae, esse paradigma e ainda mais assustador.
Aflige-me pensar que ha mulheres que chegam ao processo de divorcio muito mais fragilizadas do que eu.  Nao tem uma carreira definida, e dependerao economicamente da pensao de seus ex maridos que, em muitos casos, sera obtida litigiosamente.  Esse nao era meu caso, o que nao me libertou de, naquele momento, experimentar um sentimento extremamente doloroso, com um repudio imenso a atuacao daqueles ditos homens de fe.
Como se fosse funcao da mulher se prender a algemas nao desejadas.  Como se, ao homem, fosse dado o papel de mero consentidor.
Nao me casei mais, e nao o faria segundo as leis judaicas.   Tenho contado minha experiencia a muitas mulheres.   Somos muitas, infinitivamente mais fortes do que as prelacoes mal intencionadas de rabinos frustrados.  Filhos de maes, maridos de esposas, pais de filhas.  Nem por isso, sensiveis e corretos conosco, mulheres.  Ao contrario, verdadeiros algozes.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Shabbat ( A mim )

Vai surgindo o  Sol, no seu horizonte.  Vira, mais tarde, um silencio de Shabbat, na vida que passou rapido.
Para dizer que estive aqui, e de que essas letras sao tao reais, como seu sono, e a vontade de experimentar o dia.
Surjam raios, e estarei viva, como voces.
O descanso me espera, o confortador silencio da parada, mundo aberto a novas texturas, um fim de semana por vir.
Saboreio o tempo que me separa desse encontro, com as atividades ludicas de que tanto gosto, e relembro de momentos, sem saber onde estava.
O sono tomando conta,e me sinto diferente, mais densa. Com a porcao de minha vida em maos, e um todo se fazendo presente. O sonhar em cima de minhas proprias realizacoes, sem a dimensao do belo, que fora de mim.
Surjam raios, tragam a manha e estarei aqui, vingando a proximidade com nossa ave mae, e sonhando num contexto em que meu eu se faca forte, por tamanho possuir, Ana, juntas.
Aguardo-me no descanso que vira, sono reposto, dois dias de puro contentamento em so estar.
E Shabbat, e estou so.  Nao como poderia, mas como o quisesse.  Junto a mim mesma, e basta.
Por ora, nas decisoes de que sonho tomar, e a que rumo me atar, pondero. Porem me levando, tambem, ao desconhecido de minhas incognitas, sempre presentes.
Dois dias em que me esperam cores, palavras, sentidos.  Em que serei descobrimento e fascinio.  Vontade e calma, pois  Shabbat, permitindo o sendo apenas estar, e cultivar o nada, ou o mais fortuito.  Simplesmente se deixar levar.
No passeio que farei, e na languidez que, por certo, me alcancara.  Deixar-me tomar e sentir o fresco do que nao cabe juizo, absolutaente livre na sua proposta.
Venha, Shabbat, e me envolva num manto de ternura.  Acaricie minha solidao com rosas.  Deixe-me vagar ao centro de mim mesma.
Ir-me ao longe, para acima das constelacoes de que meus olhos possam visualizar.  E, de la, olhar a Terra como uma estrela, que sauda a vida, e por ela se enternece.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Opcoes ( Checando o painel de controle )

Tres da manha sauda a vida dos notivagos.
Baby, vem viver comigo, vem correr perigo.
Que outros chamam baby. Tambem em portugues, e bom demais, e so me faz chorar.
Nao sei o porque.  O pranto e a reposicao das palavras, no vazio que nao se fica.  Dele nao quero nada.
A correr, dedilhar, como se a vida exibisse seu ultimo sopro, ou fosse uma cronica de aeroporto, sem paradeiro a abarcar.
Hoje ja posso escrever ouvindo musica.   Copacabana, essa semana o mar sou eu.  Belchior me roubando as palavras, somos um so.  Todos buscando o encontro que as paralelas nao permitem..
Agora retorno ao meu eu so.  Ja nao me guio por nenhuma rota.  Vago no vazio, encontro palavras ao acaso, todas se fazendo sentido, em algum lugar do meu inconsciente.  O que importa e escrever, do que algo revelador vira depois.  Uma parte de mim mesma que nao floresce a olhos vistos, mas tem sede no interior.  E se basta.
Perambulei, ousei dormir. O sono me levou de volta a vigilia, encontrar meu papel e fala.  Para vislumbrar o que ha de novo, ou apenas reafirmar., dentro de mim, a carencia e saudade, algo que nao me deixa o peito em paz.  Volta, retorna, esta la, e nao me deixa.
Sofro, ate que as lagrimas tenham um sabor mais doce, ou nao, muito embora sua companhia me seja amiga.
Sabe-las em minha face, descendo delicadamente, caminhando com meus solucos, existindo sem perdao.
A vida e um transito efemero entre varios aeroportos, cada um levando ao seu destino. Eu, ao decidir-me por uma passagem na hora, checando todas as opcoes possiveis, no painel a minha frente.  Alguns destinos conhecidos, outros completamente inospitos.  Sei que voarei ao ja sabido, como tambem adentrarei ao mundo do nao conhecimento.  Todas as opcoes sao validas, em se dependendo do momento.  Nao me importa, o meu e de viver, saboreando a meiguice do velho, e me supreendendo frente ao desafio do novo.
Tudo absolutamente em cheque, moto pulsante.  Nenhum resquicio de amargura, ou ponta de saudade.  O momento, e so.  A coragem, inteira.
As lagrimas, depois.  Cheias e vibrantes, meigas e doces, lagrimas de fel e amor.
Simplesmente lagrimas.  Para nao esquecer o que nao morre.  Celebrar o eterno.  Viver ate nao mais poder.
Adormecer num canto sem fim, por sob as estrelas.  Onde nada se apaga, tudo e eterno.

domingo, 19 de março de 2017

Amar ( Somente no fortuito )

Nao sei do sentimento que fica.  Nem se gostaria de mata-lo, ou se morra por si so.
Como um trecho de estrada que se bifurca, onde o presente se compoe de um quadro nitido de duas escolhas. Va-se o de dentro, ou seguir em frente.
Esperanca significa temor.  De que nao aconteca.  Quando o passado ja foi inviabilizado.  Porque a expectativa do futuro ?  Eros, o desejo ao nao pertencido.  So os momentos vividos sao o resquicio de memoria, e o resto sonho, nao mais.
Esperanca que, em mim habita, limerencia.  Que uma frase se destine a mim e, mesmo o sendo, nao signifique mais do que o nao encontro.  Milhoes de silabas nao ocupam o lugar do medo de amar.
E pode ser que eu nao me ame o suficiente, em vivendo a fantasia do futuro idealizado.  Os encontros, na vida, sao ineditos.  Meu encontro comigo mesma, nao menos.
Porque tao dificil a entrega fortuita, que nao exige uma relacao consumada, e sim uma verdadeira apreciacao do efemero ?  O medo de amar por um, dois dias, como se o tempo se entregasse ao seu pedido total.  Sem cobrancas, ciumes, apenas a entrega do si.
Tao facil e fluido se encontrar um objeto de desejo e celebrar a entrega sem reticencias, pelo tempo que for.  Incontavel, desde que seja bom.
Carencia de amar, e viver o que e de dentro, na espera do sair em todas as formas.
Nao pensar em fins que se acabem, e diferencas que nao se completem.  O encontro e transgressor, e suplanta o plano das ideias e preconceitos.  Clama sua individualidade, e busca novos caminhos..  Elege o rumo liberto das perguntas sem respostas, e se basta aos seus sentidos.  Desafia a si mesmo, na busca do novo.
Das formulas gastas pelo uso da convivencia, me redimo.  Quero o momento atimo, que supere conflitos e indagacoes.  Seja, tao somente, sem as entrelinhas demarcadas pelo conhecer.  Inospito, deliciosamente novo, na magica de seu temporario.  Num corpo que deixara seu cheiro, do qual me olvidarei em recordacoes incertas, ou nao.  Numa voz que nao cansou a repeticao.  Num sorriso que vibra na sua virgindade, eu, por tanto a descobrir.  Adoro o fortuito.
Amo a voce, diria.  Pelos tres dias ou menos, tanto faz, sendo desnudos de qualquer ambicao, apenas a nos mesmos.  Entregando-me inteira, sem limites outros que sua vontade em me ter.   Esquecendo-me de mim, na loucura.  Chorando depois, pela perda ganha, na saudade doce do que ficou.   Inteira, mais do que nunca.  Vida pulsante e coracao aberto, e o medo longe como se eu pairasse, tao somente.
Valer.  Ser, estar.  Deixando-me amar, a quem me queira.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Eros



Eu e a brisa, musica de Tim Maia, inaugurando meu repertorio musical no papel.
Sem mais, o amor de Platao e Eros, desejo.  Que termina quando ha o encontro.
E utopico, nao carnal, e a seiva a sublimacao.
Quero sonhar por sobre o momento que aconteca, e nao se intimide.  Persiga a procura do querer, me dando.  Desafie o medo da entrega.  Nao exista na virtualidade do pensamento.
Esvaneca numa sombra, onde ja nao avisto meu nome.
Quero um amor de verdade, que me faca viver todos os sons, nao so os de minhas lagrimas.  Que sejam pelo contentamento do partilhar, na comunhao de duas solidoes e no misterio da descoberta.
Um amor feito de confianca na autoestima de cada um. Uma doacao do amor por mim ao outro, como so se possa ser.
Onde a natureza masculina se complete a feminina, sem desafios outros que nao o seu proprio bastar. 
Amor valente, de quem escolheu viver.  Puro, simplesmente o sendo.
Que traga vida, e nao mate.  Regue, traga agua, seja forte em sua alegria e dor, com todo o sabor da despedida que, um dia, acontecera.
Eros, em seu infinito, eu sou o toque e as maos.  Sou a carne que pulsa, e o coracao que vagueia, me procurando em alguem.  Uma alma calida, querendo alguns momentos felizes.  Que se facam sentir, e me deixem lembrancas.
No meu caminho a velhice, ainda sou capaz de sonhar.  Enternecidamente para o belo, me recusando a recolher, sobre o manto da aceitacao, de que o esperado e a contagem ao meu leito de morte.
Num mundo tao competente para entristecer,  descansar meus olhos a um ombro que me abarque, sentindo um abraco que me rodeie, por algum tempo, para me fortalecer, tao somente.
Eu queria dar amor, nem ao menos pedir.  Como se, Ana, para continuar a viver.
Deixe-me lhe amar, frase poetica tao triste, refletida nos meus olhos, sempre melancolicos.
Apesar de tudo, poesia.  Segue a vida.  Segue.



Lerias esse pais ( Anagrama por descobrir )

A vida e lilas, e minhas palavras voam ao mundo.
Que atestem minha loucura, coracao, coragem.
E e para voce, e para todo mundo que quer trazer, assim, a paz no coracao.
Entrego-me, no que me seja lido.
Nas minhas saudades, na estrela que acompanho, e em todos meus sonhos de menina.
Nao sei quem sou, e vivo a espreita de minhas descobertas.
Sinto o peso da irreflexao de meus sentimentos, mas assim, pois, sou.  Uma mutacao que habita horas, e meu coracao e novo, Beto Guedes o diz.  E acato.  Pois e um sentimento universal.
Amanha irei encontrar a proposta de convivio, protagonizada por judeus e palestinos sentados juntos, na emblematica praca onde a vida de Rabin foi ceifada.  O que esperar ?  Selfies ?   Debates  ?  Sem cinismo, aberta a propostas, nunca sou vanguarda.
Soo-me dura, nao o querendo ser.  Respeito todas as proposicoes que se traduzam em busca por um convivio mais harmonico, e nao serei ceptica.  Pois e indole em mim acreditar, uma fe inata.
Criancas palestinas, nao agonizem em seus sonhos.  Criancas israelenses, saibam que existe outras, e de que o mundo nao e uma redoma.
Um pais que se autointitulou sionista, para abarcar judeus que, como todos os seres humanos, podem chegar ao apice de inconsequencia em seus atos.  Onde uma mulher judia e obrigada a enfrentar a cerimonia de divorcio deliberadamente humilhante, que so a Judas se poderia desejar.  A quantidade de melanina ainda estipule a casta nobre na sociedade.
A tudo chamaremos Israel, porque judeus, convencidos ao nosso direito a ter um territorio.  Fosse ele laico, e se faria merecido.  Pois laicicidade nao e privilegio de jogos de loteria, onde um so um ganhador arremata a casa.  E virtude dos que querem ser humanistas, nao mais.
Vivo num estado judeu, por ter uma origem, concedida por nascimento.  Da qual preservo apenas uma memoria afetiva, em sendo.  Sou laica em minha essencia, e o que me trouxe a esse pais sao perguntas oriundas de uma busca totalmente existencial, em que o judaismo nao prega qualquer tipo de referencia.
Mortes sao as mesmas.   De um terrorista ou soldado, e sempre havera uma mae a chorar.
A escalada do revanchismo nao deixa culpados ou inocentes, so vitimas.   E a terra pertence a todos, sem excecao, dela lhe vingando a agua.
Nao acredito em um estado judeu, porque esse nao lhe e o nome.  Apartheid.  Sem nenhuma condescendencia para com a historia, que se repete a cada transgressao cometida.
Minha experiencia em contato com os valores ideologicos, oriundos da ideologia de dominacao da terra, me mostra rachaduras.  Na percepcao aos direitos humanos, em sua totalidade.
Ao pensar que meu conforto em abracar a religiao judaica seja enfrentar uma cerimonia de divorcio, a qual a mim e qualquer mulher so trara constrangimento e sensacao de abuso psicologico, me recuso a calar.
Meu mundo nao e o estado judeu que nao sabe ouvir minhas lagrimas e confortar minha dor.   Rabinos sefaradis que preguem a morte de askhenazis, como ja de ouvi de algumas bocas.  Ou o eterno martirio na cor negra marcada, que ainda busca sua ascensao, perdida no tempo.
Facamos desse pais um loco honesto.  Laico, em sua essencia.  Aberto a cores e credos.  Sensivel a todas as criancas.
Comecarei a chama-lo Israel.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Redencao ( Destino proximo ao planeta Terra )

Ao som de Sa, Rodrix e Guarabira, reinicio meus trabalhos.  Nao sem antes manifestar minha indignacao.
O mundo e sordido, mas a vida e bonita.  O alcance das difamacoes imenso, e a procura da verdade nao uma so.  Existe muitos sentimentos em jogo, e o nao vislumbre de um ideal.  A identidade do ser humano se perdeu em blasfemias proferidas, e dedos apontados.  O odio se juntou ao ceticismo e busca por ignorancia.  A alienacao, um atributo necessario para a continuidade da especie.  Caos instalado, porvir de tantas ditaduras.  Um preco ignobil a ser pago.  O nao perdao.
As redeas da ganancia humana e falta de inteligencia atravessam, mais uma vez, os caminhos da historia.  Assistimos a tudo perplexos, conscientes de nossa acao objetiva.  Ainda assim efemera em sua gratitude, incerta em seus dias de bonanca.
Homem, especie maldita a que pertenco, por onde jorraras seus caminhos de sangue e acolhida ao nao virtuoso?
Terra, planeta infimo, vista de cima, oceano em azul, atmosfera calida, sereno da paz.  Pois  que as lentes se aproximem em aumento, veremos sujos os becos, e assassinatos gratuitos.  Criancas miseraveis mendigando por pao, ao mesmo tempo dancando uma melodia, sem parar.
Eu me verei crescendo entre as paredes de um bairro que ofereceu resistencia a tortura, e rosto de varios que nao sucumbiram as tentacoes do destino.
Planeta maldito, onde a mesma arvore que da sombra e frutos e sacrificada em prol de interesses escusos. Os que nao fazem coro sao perseguidos, e tem sua vida ceifada, como o a veia da borracha, que escorre a luz da seringueira.  Indios, que clamam sua voz bradada no mato, sem coro que a repercuta aos homens da cidade.
Planeta ousado, que finge nao ouvir o lamento dos holocaustos que aconteceram e dos genocidios que ainda estao por vir.  Que aposta na insensatez da palavra humana, junto a sua usuria, recheada por preconceitos.
Destino humano pertencer a mesma especie.  Mesquinha, exterminadora, sem respeito para com o individuo per si.  Novelos de passado conduzindo a mesma resposta.   Ela, em toda a natureza, a que nao vingou o contato de sua propria prole e o respeito inerente ao seu desenvolvimento, por entre o curso da longevidade por que passou..
Somos astutamente egoistas e antropocentricos.  Maniqueistas em prol de interesses, e profundamente racionais face ao sofrimento alheio.  Bandeiras de mediocridade sao levantadas mundo afora, apenas para atestar quao decrepita e nossa autonfianca em fazermos o bem.
Seres limitados, desprovidos de cor propria, intangiveis na perpetuacao de crencas dogmaticas, preconceitos irrefletidos e religioes calculistas.  Nos, humanos, expressao da mediocridade que invadiu o cosmo.
Apesar de tudo, a esperanca habita em mim.  De que caminhemos para um processo de aprimoramento.  Que inclua mutacoes e novos conceitos cognitivos.  Reavalie as relacoes e considere, de forma impar, todas as formas de poder e opressao que assolam nossas cabecas atordoadas.
Pois se que, de outra forma, nao ha destino.  E, em assim o sendo, caminharemos, como um todo, a procura da morte.
Planeta Terra.  Nao e justa a nao vida onde ha oceanos e rios, verde, sombra e pastagens.  O belo, tao somente a sua criacao.  Calem-se a ouvir seus sentidos.
Mundo dos homens, adormeca, e acorde num sonho.  E tudo, como magica, comecara no amanha.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Asas para a liberdade

Felicidade.  A presenca da ausencia da morte, tema de um livro, companheiro de minhas andancas.
Lembra-me independencia, numa frase emblematica.  Morte, o momento vazio onde nao ha mais o pensar.
Pequenos momentos, livres.  Do medo pelo existir, e por todo e qualquer julgamento moral, que cerceie as opcoes individuais.
Posto que e fato, livre de quaisquer expectativas, num espectro inteiro de satisfacao para com o que se tenha.
Estou feliz, nao mais o sou.  E minha visao da morte atormentada se torna palco de fundo de meus atimos de redencao, apenas.
Voar, simplesmente.  Saborear a sensacao do encontro com as nuvens, e a visao de belas paisagens.  Encontrar o motivo que justifique o inesperado, modelado nas asas de um aviao, que corta os ares.  Certeiro, veloz, digno de sua propria envergadura.
Por sobre mares e oceanos, terras desconhecidas, esse passaro gigante, criacao do homem a sua essencia, se desloca.  Somos mais do que existir, no momento em que criamos nossos proprios veiculos para a liberdade.
Sartre postulava que a existencia se dava a priori, resultando dai o homem angustiado, vitimizado pela sua propria crise.  Escolher rumos e tarefa ardua, nao resultante em caminhos virtuosos, muitas vezes.  Mas, de como conflitada, e a unica via que possa preencher as expectativas do ser.
Livres aqueles que se permitem adentrar ao mundo da nao pre escolha definida, e tomada de riscos calculados.  O que ai esta e para ser saboreado, nas suas duvidas e contingencias.  Com as limitacoes de cada ser como individuo, muito embora um moto continuo para toda a humanidade.
Eis-me aqui, tomada de coragem, rosto ao vento, e uma passagem com destino.  Remoto, mas pulsante.  Livre, em acorrentada pelas minhas emocoes.  Num dialogo continuo entre as minhas expectativas.
Sempre gostei de aeroportos, que simbolizem o efemero do transito, para de onde se veio e va. Com uma identidade definida pelo nao paradeiro.  Com os quais ja convivi, em momentos de cansaco e perguntas, sempre a me dizer o incompleto. Como me tornei cronista de aeroporto, vale lhe atribuir uma nova missao.  Que seja linda, pois minha esperanca e a mesma.  Viver o que ha de bom, o quanto efemero, pois assim se faz.  E com alegria, pelo prazer da escolha.
Ana, sao tantas as vezes em que lhe encontro, e tantas palavras bonitas foram as que trocamos.  Nao saberei porque tive uma chance, a voce nao dada. Em nossas conversas, agora, so sinto voce, mesmo estando em nao palavras, e nem mesmo sei que tipo de anseio elas me causam.  Por voce, tambem decido ser livre, para que a vida me proporcione um verdadeiro sentido.  E continuarei acreditando no pressuposto de que os instantes de felicidade que encontrarei, a priori, nao sao tangiveis preconcebidamente e, sim, fruto do meu aprendizado para com o viver e seus dominios.
Voce e linda, sua luz o e.   Sua ida foi o instante derradeiro para eu me certificar da minha total fragilidade, enquanto ser humano.  Minha gratitude pelos inumeros presentes com os quais tenho sida ofertada.  E so posso chorar, pela grandeza dessa conscientizacao, que vem de encontro a sua vida suprimida.
Nao deveria ser assim, mas o e. Sem arrependimentos e explicacoes.  Felicidade ou morte, o livro a minha cabeceira.  Eu escolho voar.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Simplesmente petalas

Vozes estranhas habitam as paredes da esquizofrenia.  Pensamentos que se mesclam, numa inteligencia subliminarmente declarada.  Um mundo em si so.
Depois encontrar uma crianca, inocente em sua infancia.  Aluma.
Cansaco preenchido pela doce sensacao de encontros inesperados, no ceu que se abre, o qual chamo vida.
Que mais lhe quero ainda, quero mais.  O retornar ao sonho, ainda mais perto e melhor.  Fantasia de dois corpos, num momento muito amplo para curtir.  So poesia.
No coracao que bate a passos largos, antevendo um futuro de memoria, inospito pelo seu nao acontecer.  Presente na vontade, cheio de esperanca.  Por isso, a temer.  Castelos de sonhos se desfazem ao sabor dos ventos.
Mas nao ha o que impeca o sonhar.  Nem as palavras sussuradas, nem a fantasia do enlevo, nem a quase sensacao do seu corpo inteiro, me levando depois as lagrimas.  Pois chorar ja se tornou um artifice, bom companheiro dos sentimentos expressos, numa torrente que limpa a alma, no seu momentaneo.
O presente e a questao.  Nele facamos nosso tempo, cada segundo a propria vida, parte de poesia, real imaginario.
Assim, me vi conversando com varias facetas de uma pessoa, e tudo nao durou menos do que algumas dezenas de minutos, suficientes para ampliar o mundo da minha compreensao.  O estado de loucura pertence a um sitio basico, de probabilidades amplas e bem menos definidas.  Onde a dor parece nao esbarrar em nenhuma contingencia solida.  Ate mesmo invejavel.
Eis-me outra vez,sentada, dedilhando meu roteiro, sob o fundo de um dia primaveril, que foi intenso, desde a saudade ate meu grato contato com as criancas, que me renovam, de cada vez.   Aprender e um processo simbiotico que, se encarado como recebimento, e a mais pura fonte de satisfacao. Elas  sorriem, se desesperam, e vao, no seu manejar, adquirindo as proporcoes do que e o viver.  Todos, invariavelmente, na mesma roda do destino.
Um dia ainda mais importante.  Para mim, ele, voce.  Surge uma pequena nuvem de esperanca, nao mais.
Toda, sem grandes pretensoes, mas com muita vontade.  De que venham dias promissores e melhores.
O voltar para casa, e ouvir, sem tregua no tempo, as cancoes que fazem transbordar minha alegria e desejo.  Acordes do que me e lembranca, que criei no meu mundo em paralelo, e dos quais passam a fazer parte da minha tabula rasa.  Cantar, dancar, fluir, sorrir.
As flores continuam a minha frente.  Algumas petalas ja se vao, me lembrando sempre de que o maior compromisso e o viver.  Mas o belo existe tambem na tristeza desse cair, como no desabrochar.  Somente uma questao de se olhar ao processo como um todo, nao mais.
Brindo as flores, e sua sapiencia.  Aos sons, que me levam a inspiracao, e se tornam companheiros no meu nao esquecer.  As criancas, que me acontecem a cada dia.
E a minha capacidade de amar, acima de tudo.  Encarando o medo e a solidao.  Fazendo um pacto de silencio genuino com meus sentimentos.  Enfrentando a agruria da paixao nao correspondida.   Deixando sem respostas o que nao ha de se indagar.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Baby baby ( Meias a parte )

Quatro da manha, na minha vida notivaga.  Silencio total, so me restam os teclados.
E eu vou viver a minha experiencia do ser, com ou sem loucura.
Amanha e a cobranca, em mais algumas horas.  Nesse entremeio, sou livre para andar com meu roupao, nao sentir frio, e escrever ate que a morte me separe.
Um cigarro.  Dois belissimos jarros de flores, brancas, roxas, vermelhas, me asseguram de que os momentos continuam, no so brincar da imaginacao, sem medo.
Ha alguns dias atras, me vesti com o personagem da despedida.  Saia jeans, meias, um tamanco altissimo, e esperei o telefone tocar.  E as horas foram passando,  o banco do meu carro e as esquinas da garagem do aeroporto desaparecendo.  Lembrei-me do cartaz que mencionava aquela frase correta, e fui me deixando ficar com meu tesao reprimido, ao som de Caetano.
Mas estava linda, so ternura em frente ao espelho, uma boca pintada e os cilios muito pretos, exatamente como eu gosto, sempre nas fotografias.
Despindo-me aos poucos, cantarolei o que ja nao e mais parte fora de mim, e me senti tao desejada como antes.  Meu corpo estava febril de paixao, mas ainda sou uma menina, para a qual o tempo sorri, e a sensualidade so faz conta.   Nua a mim mesma, nao menos bela, ja que o nome carrego, e deva fazer jus.
Nas paredes do meu quarto, um rosto ja nao houvera, entre tantos.  Nao suficiente o fosse para nao entornar o meu melhor blue, regado a BB King e goles de vinho.  Para diminuir a dor, ou aumentar o prazer, tanto faz.  Todo blue tem a palavra baby, so this is it.   Baby, come here, let me just feel you.
Seguirei minha vida vivendo o drama, ou serei cool forever ?   Dificil dizer algo sobre minha alma inconstante. Nao a tal ponto.  Sei o que quero, mas adoro a cumplicidade do jogo do amor.    E um vinho tomado a dois e sempre muito saboroso.
Pois, senao da espera, onde estara o aeroporto ?   Preso as minhas lembrancas, esperando por mim, jeans e boca ao mel.  Futuro proximo, no mais provavel.
Ao que se dira, sabido ja era.  No contexto, muito mais volatil.  Eu ainda sou uma surpresa das decisoes de mim mesma, e brinco os jogos a que me aprouver.
Um detalhe.  Meu quarto nao tem paredes e, minhas meias, nao soube tirar.  Precisei do auxilio do meu consciente nao ebrio, mas faco da vida uma grande tela de aprendizados.  Em meu futuro, uma verdadeira escola de nao mais marionetes.
 Guiada pelos meus dedos que nunca sabem o que os espera, fantasiando meu oncoming future, desfrutando a colacao da lingua inglesa.
Abre-se uma nova semana, cheia dos percalcos do amanha.  Eu, aqui, sublimando mais um texto, rainha da noite.  Roupao e desejo, flores a minha frente, numa eterna ansia de viver.
So long, daqui a pouco se abre o dia, e me lembrarei de que o sono nao vingou, mas dele me esqueci.
Deixo-me, apenas.  E somente mais um dia.  Tao grande quanto, ou banal.  Despirei minhas meias, para depois vesti-las, ou serei nua no todo, saboreando as fatias de cada felicidade.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Murmurio de boa noite

Ha um coro de silencio la fora.
Resolvi viajar para a China, pois la sou amiga do rei, numa distancia bem longa, onde so eu seja apaixonada por minhas palavras.
Visitarei a Mongolia e as torres do sem fim, e as escadas de plantacoes  de arroz, nunca se sabe.
Descerei leste afora pelo Laos, completamente inospito em minha imaginacao.  E declamarei o coro de vozes, ao som das criancas do Vietnam.
Encontrarei uma ilha solitaria no Pacifico, e aproveitarei meus dias pensando em agua, cocos, e alem mar.
Sobrevoarei paisagens de que nao conheco, na  ansiedade de me sentir fora do planeta.  Ouvirei linguas estranhas, e enfrentarei desertos de calor e neves ousadas, entre rostos loiros e amarronzados, privilegio antropologico da raca humana.
Voltarei a um tempo muito antigo, com jaleco branco, circulando por entre as passagens de uma faculdade.  E nao saberei a hora da aula de anatomia comparada, para fugir ao cheiro de formol do laboratorio.  Corpos humanos abertos para dissecacao nao sao interessantes, apenas na memoria do relativo.
Percorrerei as idas e vindas do movimento estudantil, em toda sua ousadia e crenca, mulheres e homens, carentes em sua permissividade.  Um ideal a acreditar pelas costas, e a vontade de ser feliz.
Encontrarei minha mae, velhinha, do alto de sua senilidade, a me sondar os caminhos do coracao, no eterno reflexo de nossas duas vidas.  Sorrirei, a quem se fez crianca, outrora so uma mulher.
Ondas que batam na espuma branca da areia que dorme, eis me sem paradeiro, pois o mundo e grande, as letras inumeras, e a emocao uma so.
Doce silencio de Shabbat la fora, o frio que atravessa meu corpo, e que pede aconchego. O livro a mostra, para que eu me delicie, e as paginas viradas do lido que ja se foi.
O barulho la fora e sutil, como o e o do meu coracao.   A escrita vem, presenteia, se cala, e eu sigo olhando o obvio, sem mais, tristeza.
Areia que bate, ondas ao mar, todos os cenarios, em suas inumeras paisagens.
Eu, mesma, lida por milhares, como se a aprovacao fosse requisito para o ser.
Ainda ha sorrisos, e mesmo gargalhadas.  Passagens, doces rios e cachoeiras.  Norte a Sul, nada mais do que uma imagem.  Para eu me sentir inteira, sem medo do belo.
A tela nua, a minha frente, me convida a pintura que vira, pois preciso de mais lilas a minha volta, com o preto dizendo sim.  Ou nao.
Todas as formas que estimulem minha sublimacao e a fuga do momento em que o mundo dos homens se faca real.
Poesia e cores, passeios sem arrependimento, e chegada a fartura dos morangos, campos com colhedores oriundos de paises pobres.  Para que nos, privilegiados, nos refastelemos.  Captarei, ao som de minhas imagens, para nao me olvidar de que sou uma furtuita observadora do ser..
O tempo urge, parado, e faz nota com a solidao do nao estar alegre, ou triste, so em vida.
E vou dizendo adeus, como um murmurio, sem notas ou cores, de volta ao sonho e ao branco, de que de tudo toma conta.   Amanheca o Sol, supere a noite, e me acorde abracada, num doce enlevo de bom dia.  E ai sorrirei.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Doce chuva, pedindo ao fundo

Tao sedutor quanto o encaixe de dois corpos, o encontro de duas linguas, e o prazer do sexo.
Maravilhoso como ouvir tudo o que se queria falar, e mais.  Pedir, sussurrar as palavras certas.
Ficar inebriado, e esquecer o orgasmo que surge, de repente, surpreendendo a todos os sentidos.
Entregar o corpo a todas as caricias, sem nenhum trajeto.
Muito bom viver, em conhecendo a aventura do se permitir.  Naquele beijo que nao pede, mas nao quer terminar.  No toque em que se sente a forca de dois bracos, e a vontade da total entrega.
Pedir mais, e nao parar.  Sempre, sem pensar.
Baby, take off your clothes, slow, slow.  Para voce, meu melhor strip-tease, sem mais.
Muito quente aqui, mas eu ja estou sem roupa.  Como meu pensamento que, nem ao menos, viaja.
Sentidos do meu corpo, eu vivo esse blues imaginario, e conservo so meu chapeu.
Comeco pelos tamancos, tao altos, com os quais me sinto uma deusa. E ai pergunto, ou nao, sua vontade.
Como nao tenho ideia de como tirar minhas meias, voce pode me ajudar. E nao me importo de que percorra minhas pernas com caricias, porque a estrada do desejo e longa.
Saia jeans, gosto de ser menina, muito facil de ser tirada, assim, devagar, junto com os movimentos do meu corpo, so para lhe excitar.
Camiseta normal, mas faco dela um lenco, bem bonito, e flutuante, para poder instigar sua imaginacao.  E, tiro, devagar, no frio que so vai virar desejo.
Paro. Esse momento e de uma pergunta no nosso olhar.   Pode nao ser a mesma, mais vale o silencio da contemplacao.
Virar de costas ou nao, para tirar o soutien.  Sete semanas e meia de amor, com certeza paro por aqui.
Dispa-me voce, para eu sentir menos frio e mais prazer.  Para eu ouvir, mais perto, as palavras sussuradas que sua boca me proporciona.  Para eu sentir seus bracos, tomando meu corpo.   Esquecer, ou nao, tanto faz.
Na minha frente, flores, coloridas.
Ficando longe, o tempo se esvaiando, brincando de escorrer.  Peca-me para ficar presente, pois perdi meu paradeiro.  Nas mensagens nao mandadas, de todos os textos lidos.  So encontro as mesmas letras, e um futuro que nao e presente, forca ou nada.  Na solidez do silencio, meu chapeu que nao conservo em minha nudez.
Tanto faz, no dominio do desejo, estou. Completamente ferida, com a chuva que recomeca, a se fazer companheira.
Escolho minha solidao.  Nela vivo, e perpetuo meus dias e anseios.
Nada ha que os apague, continuo no rumo de minha busca.
E o fogo do paixao, que nao mais me consome, acena um adeus, de despedida tao longe.
Caia chuva, e me transborde de delirio, ou simplesmente sinta meu corpo.  Minha alma ali ja esta, e eu desabrocho do fundo do meu ser, sem que me leve a eternidade de todas as minhas perdas.
Esse batom em minha boca, tao roxo e vibrante, me traz a tona o pulsar de mim e e, ate mesmo, um acalento.  Meu momento de mulher, tao mais segura e plena, pronta para a vida.
Num canto, somente.  Sem nenhuma melodia que eu sabia, todas parte de mim.
Sigo meu rumo, com amor pelo meu destino, e a vitoria das minhas derrotas.  Sou eu, simplesmente.
A chuva bate seus pingos, e eu continuo a escrita.  Nos comunicamos pelo obvio, e penso nas distancias, na dor, e no livre em ser.
Nas respostas que nao terei.  Sera assim.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Agora um trovao ( Rompendo o tic tac )

La fora, o barulho da chuva.
Tic tac tic tac faz o silencio.
Mas chove la fora.
E o silencio tic tac dorme como um gigante, na espera.
Percorro com medo minhas letras. De gritar, ja passou.  Agora e so o tic tac do silencio, nada a ouvir, pingos de chuva, na minha solidao.
Se estivesse num campo, bradaria.  Mas estou aqui, sentada a minha cama, escrevendo, e o que pulsa e esse relogio atormentado.
Nenhum barulho, ou som que venha, na monotonia dos dias comuns, que se anunciam.
No meu coracao, que nao ousa mais um suspiro.  Tic tac, nem ao menos de verdade ao meu lado.
Viver a vida, em se equilibrando num fio.  Erguendo-se, caindo, doce esperanca da ilusao.
Ouvir uma voz, para quebrar o compasso avassalador dos tic tacs do momento.  Que nao passam e se renovam.  Hoje o choro nao e mais vida.
Um pequeno sopro, ou algo tao grande.  Uma voz, para quebrar a escuridao de um momento, de um quarto que nao tem frestas.
Tic tic tac, para variar.  Tac tac tic, para ser pernostico.  A ordem dos sons nao muda as badaladas de um relogio que caminha para a frente, impulsionado pela vontade de uma decisao.
O relogio que esta ao meu lado parou.  Acordou mudo as dez par a meia noite, e assim deixei que ficasse, para descansar em sua pretensa imortalidade.
Tic tac e sao os rostos vivos que somem, na pagina do tempo que se vira.  Aqueles, cujas fotografias tomam o lugar do coracao, na lembranca.
Mas hoje sou por alguma lei da fisica, bastante conhecida.  De que os corpos caiam por causa da gravidade, de que nao sei absolutamente o que e relativo.  Da atracao entre eles, quem sabe no quesito eletromagnetismo.  Eu adorava a disciplina antes do vestibular, muito embora pouco se tenha dada sua aplicacao.  Na verdade, em pensando, tambem e muito util.
Chuva caia, pingos de relogio.  Relogios de gravidade.  Tempos que voem.  Saudades que passem rapido, ternura que nao se morra.
Tic tac de novo, como se fosse um som que nao parasse de bater a consciencia.   Estou passando, voando ao meu eu, la longe, nao se ve mais meu rosto.  Nao chore, porque o amor e feito de perdao, como a mais profunda das noites.
E as palavras nao ditas nao sepultam o desejo de nao serem vividas,  Apenas se esqueceram, embora tivessem brincado tanto.
Por isso o badalar dos relogios da vida parece ser sabio, em sua monotonia.  Nao o que o faco parar, a nos que estamos a merce dele.
Como um quebra cabeca gigante, parte por parte, ninguem e tao inconstante.  Apenas eu e voce.  Mas isso ja e passado.
E sua voz ?  Como sera ?  Quais os timbres do alcance de sua paisagem ?
Eu adoraria estar voando agora.  Atravessando o Atlantico ou, quem sabe, indo para Estocolmo.  Bem mais de volta aos tropicos.  A viagem e linda, para quem se senta, e vai.
Mas ha asas para quem fica.
Um badalar que diz dor, amanha, silencio.  Doido e muito solitario.
Passo e fico, como o universo.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Despedida ( Em so carinho )

Olha la o aviao.
Vai cruzar os mares, e desfrutar fronteiras.  Talvez passara pelo Nilo, ou Alpes, inesqueciveis na sua beleza.  Mais valem as do coracao.
Daquelas que nao se separam, nem em um grito de morte, mesmo estando juntas.
E, dentro dele, a vida que pulsa, e as estorias que se deixam ou levam.
Eu fiquei.  Mas sem medo das distancias, que viajam junto com elas. Que nada as tirara do meu consciente, ou o dentro de mim.
O futuro espera com seus sonhos, disfarcados em realidade, num pedido de apego.  Numa crenca a salvacao, e o destino dos que o pecam.  Nao suplica doce ao dominio da paixao.
Viaje, esteja sempre, voce e sua luz.
Que o mundo dos homens nao e capaz de apagar, e nem teria o porque.  Suas incertezas fazem parte, e seu amor desabrocha, numa sequencia que lhe faz inteiro, menino, homem, digno de viver.  Nos saltos que a vida da, e no sentimento presente em cada um de nos.
Viva seus erros, que serao muitos.  Para isso voce nasceu.  Para ser livre.  E cultivar sua dor, que faz parte.  Ela e de todos nos, marcada em ferro e brasa, nem por isso menos linda, na ansia do viver.
Sorria esse sorriso que marcara minha lembranca, sendo mais do que parte de historia.  Minha descoberta e delirio.  Meu voce dentro de mim.  Sem nenhuma amarra que lhe peca mais do que simplesmente ser o que se pode.   Vale a recordacao de um momento que nao tem nome.  Sem espera ou paradeiro.  Cores distintas, aos olhos de cada um, por isso tao belo.
Motivo de muitas linhas e inspiracoes roubadas.  Paixao do infortuno, de onde nao vem as certezas.
E um aviao e lindo, desbravando o espaco, coerentemente sincronizado com seu momento de chegada.  Beije o solo do meu querido Brasil por mim, amor infinito.  Onde tanto esta por vir e, nao a toa, o porvir.
Uma grande ilusao encontrada num voo, que fecha duas realidades, num momento tao atimo.  Favelas do Rio, Carnaval, Barra da Tijuca, Recreio, Copacabana, ate os arcos da Lapa, dos quais so me lembro em fotografia.  O bonde de Santa Tereza, e aquele hostel, que tem tantas filiais, e de que meremamente nao sei aonde me hospedo, ja que Copacabana, de que o mar leva o labirinto bem mais para longe.  Assim a serra que liberta, e faz tudo tomar perspectiva.  Carlos Drummond ainda deva estar sentado em sua eternidade, de vez em quando alguem brincando com sua casmurrice.
Tudo para seus olhos, vale a saudade do que for, e seja seu.  Dos seus sonhos e perguntas, sem que hajam respostas.  De absolutamente todas as confluencias do seu ser, ou nao.
So poderia dizer agora que lhe amo, e isso e bastante.  Essa confissao no papel que, absolutamente, nao exige nada, e do qual possa me orgulhar.  Pois nao tenho a prisao da fantasia do encontro, muito menos se ele faca parte dentro de mim.  E de que sua consternacao nao muda a bussola dos fatos, eu, em mim, inteira.  Com a sempre escrita ao meu lado, verdadeiro presente.
Meu amor, nao deixa de ser um jogo de contas de vidro.  Multifacetado, angulos que brilham, outros opacos, um cristal.  A propria sombra da forca e da delicadeza.  Todo para voce, como uma rosa.
Que sua viagem traga a docura do que ha de melhor em voce, e do que o mundo dos homens tenha lhe ensinado.  Havera um ombro que lhe aconchegue, e a doce constatacao do passar dos seus dias, em sua grandeza.
As ondas do mar vao e vem, e se esgotam num nunca se acabe.  Tambem sao boas conselheiras.  Essa redoma de vidro e uma ilusao da forca do seu destino, e so lhe propoe soltar as amarras dos grilhoes de voce mesmo.
Viva suas contradicoes ate o fim, dentro da sua beleza.  Ela e tao grande, que nao cabe em minhas palavras.
E, da sua ternura, so agradeco.  Como a tudo que voce me fez sentir.
Um beijo de despedida, ou quem sabe um alo.  Ou nada.  Nao importa tudo, ou importa tanto.  Sempre so me deixara com um pedaco, que e esse que nos cabe viver.  Sem receios, ate o mais fundo do comprometimento, so com o coracao de que se tenha em cada um. O proprio, seu, de que ninguem, nem nada tirara.
Voe bem alto, sem sentir suas asas.  Se eu puder ser uma recordacao, nao se guarde.  Ela tambem e um sinal de esperanca.
Adeus, ate logo.  Nao sabemos nem da dimensao de nossa propria existencia, enquanto homens.  Por isso, as amarras uma utopia, na vida que e, somente, liberdade.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Adoro ser sua

No palco, dois atores.  Cenario nu, com apenas uma cama de casal ao centro.  Grande, confortavel, propria para todos os tipos de enlaces.
Ao fundo, o som de uma musica.  Freneticas, muito louco dentro de mim.
Personagens, eu, voce, o medo, e o desejo.  Nao me toque, me deixe adivinhar.  Eu sei, era exatamente o que eu queria.  Agora, por entre as minhas coxas, meu doce poema erotico feito em prosa.  Me deixe gozar sem parar, e talvez eu me esqueca.
Voce nao pede, apenas obedece, e assim se faz o mundo.  Dentro, muito dentro, e so coracao.
Mas a plateia espera, e o dia ja se faz claro. Onde foram parar os raios de Sol ?  No ceu de meu gozo em sua boca, so para voce nao me esquecer.  As palavras acendem um fogo que nao se cansa de queimar, para voce todas as dedicatorias.
Ame-me como puder, mas me deixe louca.  Por que, so assim, vou me esquecer do tudo que ja nao e, e me entregar inteira.  Olhando as nuvens do colorido que e querer e saber mais.   Pensando na cor dos seus olhos, e no seu corpo que anseio inteiro.
Fim do primeiro ato.
Voltamos, eu e voce, um abraco, beijo, outro, e me sinto tao mais nua, como se ja nao houvera sido.  Puro erotismo.  Penetre-me bem devagar e me deixe ficar em cima sempre, mais, toda, desejo. Nao quero parar de cavalgar, porque o sonho e muito bom.   Seu corpo suado de prazer e o meu, assim juntos, eu so sei o que e a volupia do seu membro dentro de mim.  Para isso espero, e para isso sou.  E ja nao me importa mais nada.
Sem a certeza, nem meio ou fim, quero voce.  Sem a palavra medo, que passa e brinca, pois meu momento e de risada.  Eventual circunstancia do ser, me deixe ser so inteira.  E voce a meu lado, sempre dentro, para me dar esse momento.
Deixe-me beija-lo, inteiro, como recompensa.  Sussurrar que lhe quero e ficar a seus pes.  E so me entregar, sem queda.  Desde que voce me faca feliz por ser meu, nesse atimo, nessa loucura que e sentir.
Morder seu pescoco e deixar uma cicatriz como testemunha, em comunhao com meus mamilos que pedem seu afago, tudo muito rapido, nada muito lento, eu sou toda poesia.  Muito louco dentro de mim, muito louca dentro de mim.
Deixe-me sentir seu membro em minha boca, tao devagar quanto um gozo que galope leguas, e se faz sentir. Que me de o prazer do estar em voce, agora.  Adoro ser sua.
Adoro ser sua.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Doce aceno de despedida ( Aos trenos do Natal )

Por onde prescruto, uma incrivel sensacao de vazio.
Meu corpo reage imovel a qualquer tato, e meu coracao esta sombrio.  Acabaram-se as palavras, que levaram, com elas, a esperanca.
Nao sei o que me aguarda, nado ao leu. Sobrevoo as passagens de rios, passo e fico, como o universo. Do qual voce fez parte, insistentemente o porque.
Momento de dor nao menos do que uma paixao nao correspondida.  A todos que me leiam, nao venci, porque so sei estar sozinha.
O misterio intimo das coisas e elas nao terem misterio nenhum.  Alberto Caieiro, em seu Guardador de Rebanhos.  Em sendo Deus as arvores, os rios e as flores, se apresente a mim como tal.  Pois a vida um sucedaneo de desencontros, que eu aprenda a minha derradeira verdade, sem o sofrimento que Pessoa nao enxerga, no seu mais puro existencialismo.
Que por um momento efemero, desejei.  Com todas as minhas forcas, e sem subterfugios.  E sofri a dor da magoa e perda.  Das palavras que feriram, e do punhal que cravei.  Dos sentidos nao vividos, cumplicidade esgotada, sem arrefecer.  Ate me bastar pelo sacrificio da nao duvida.  Nao ha como descrever o sentido de um fim que se orienta para a morte, destino de todos, mais proximo de alguns, pelo menos em tese.
Foi cumprida uma sentenca em unissono como o viavel, expectante da banalidade do que e o ordinario habitual.  Sem maiores amizades, trocas e enlevos, e o resultado e medo.
De seguir ou ficar, por onde me encontre, as barreiras da solidao me sufocam e fazem tremer. Meus sonhos de garota se diluem frente a realidade que bate a porta, e cobra o vico do meu corpo, a sede do meu desejo, e o conforto da minha ternura.
Nao posso ser o que nao sou, menos talvez transgressora.  Porque nao a mim a mesma fatia da felicidade, mas sim um relogio que clama o silencio de meus dias.  Eu, inerte, contemplando o amanha arido de sonhos nao vividos.
Porque a presenca da nao coragem nas minhas escolhas ?
Nao encontro palavras, porque so as tenho no papel.  Junto a um gigante que, como um Deus dorme, assim termina Pessoa.  Perto do seu candieiro que se apaga, e as janelas cerradas. Muita paz para entender o obvio.  Devemos nos bastar a nos mesmos.  Os sonhos sao criacao dos sentidos que, por sua vez, misterio algum carregam.
Ainda assim, quero chorar sobre o ocaso, embora minhas lagrimas estejam secas.  Voltar a acreditar no sorriso de uma lembranca, talvez.  Poder me permitir sonhar, o que nao aconteca.
Caminho para a morte, extremamente viva, que me chama.  O tempo vai avancando seus tentaculos pelas sobras do meu ser, a quem chamo vida.  E e inexoravelmente pontual e fatidico, sem me deixar opcoes.  Nao me perguntara a que vim mas, simplesmente, erguera um foice na hora marcada, e deixarei o mundo dos homens, tao somente eu quando o adentrei.
Brinquei com um sonho de inverno, no presente que ganharia de Natal.  Nao o vi a minha janela nem, tampouco, me esqueci. Cultivei-o, dentro de mim, como uma boneca que busca seu nome, na ingenuidade de uma menina que nao fiz crescer.  Agora vejo-o, ja ao longe, partindo e, nem menos, tenho forcas para lhe acenar uma despedida.
Acabou-se o Natal, os trenos e a neve.  No hemisferio sul, e verao, e tudo acontece.  O mundo parece gigantesco, quando a geografia e medida a palmos.  E as vozes, que nao calam, ha muito abdicaram de seu direito de viver.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Um rio em minha memoria ( Voce passou )

Se por um segundo, eu o faria se eternizar. Clovis de Barros, sim.  Por muitos mais.
A felicidade compreende essa nocao de momentos que nao se queiram acabar, em muitas vezes dependentes da vontade do outro.
O merito esta em se conserva-la pura, nao contaminada pelas expectativas do que vira depois.  Ela se torna parte de um processo hipomanico, regido pelas forcas do nao saber e anti conformismo.
Que sei eu da felicidade e seus instantes monogamicos de recompensa .  Dentro das minhas carencias e visao nao objetiva do mundo.
Apenas sou, e espero a continuidade de momentos bons que se sucederao, doce alegoria do incognito. Lamentavelmente, o desejo e um poco sem fundo, dificil de ser alimentado, irrazoavel na sua textura. O medo de amar e o de ser justo, na entrega e na onipresenca, simplesmente letargicos produtos do presente.
Pois se em olhando a flor me sinto justa, e dela faco minha adoracao, o mesmo ja nao se da com relacao ao mundo dos homens.  Minha idolatria nao encontra eco de respostas, ate o fatidico momento do desencontro, em que qualquer palavra se torne dissonante, e o arrependimento mais valido do que seu fortuito.  Errei me entregando, como se ja houvera a nao resposta.
Nos momentos em que ja se sabia de antemao o infortunio, e so por isso a presenca era mais dubia, e a certeza um verdadeiro fantoche.  Em que, e talvez por isso, o ganho fosse substancialmente maior e desafiador.   A quebra do conformismo, da lisura das formas, e o encontro do nao articulado a priori.
Como seria algo nao moldado de inicio, fruto de duas vivencias e coracoes distintos.  Numa relacao de ganho de potencia, nao discriminadora em seu proprio ser.  De ajuda e recompensa mutua, simplesmente um homem e uma mulher, sem termos.  Edificante em sua propria natureza e bastar. Nitida, aprazivel, e limpa.  Fruto de um verdadeiro prazer sem medos.
Nao ha respostas, senao o proprio contorno da vida.  Que exige forca e confianca em sua total liberdade.  Carencia e sofreguidao expostos, sem nenhum aspecto de materia ao caminho. Simplesmente ser.
Ainda tenho resquicios na memoria de meu ser.  Mesclam-se as inevitaveis batidas do relogio que os levam para a frente, apagando as sensacoes.  Camuflando as interrogacoes do que, um dia, foi so desejo.  Ensinando que a melhor arte e a de nao nos expormos, para que nao, dela, advenha sofrimento.
Volto a questionar meus pedidos, que deixaram de se tornar suplicas.  Olhar para mim ou nao e funcao de seu proprio reconhecimento como ser humano e homem.  Eu, simplesmente, estava parada a margem de um rio, olhando voce, que passava sem se dar conta de minha presenca, na nossa eterna falta de compasso, duas velocidades desiguais.  Dois argumentos panteistas que se chocaram. Mesmo ao belo, um so destino.
O que farei com a nossa vida genial, como perguntara Ana Carolina.  Nada, pois se me e o que resta a fazer.  Articular um paradeiro na lembranca, onde imagens e sensacoes se sobreponham, deixando um pequeno legado.  O momento em que voce passou, e nossos olhares se encontraram, rio correndo, e eu, a margem.
E que seja assim.  Nao me desfiz dessa fotografia, e saberei guarda-la, ao meu prazer.  Uma imagem nao perdida na memoria, rabiscada pela caligrafia atormentada dos momentos que se seguiram, passionais, em sua maioria.  Verdadeiros no seu nao realizado, talvez com vontade, ao menos, de lutar.
Que me pesem aos ombros os infortunios do nao conformismo.
De tentar enxergar o belo sem fronteiras ou formulas.  Cuidando ou nao de mim, um preco.
Acreditando nas possibilidades da vida, como um todo.  Talvez sempre.  Nao ha motivos para o retroceder.
Onde estarao suas perguntas, nao saberia dizer.  Num lugar onde voce exija o que de mais verdadeiro puder encontrar, se houverem forcas.  Onde a conquista sera somente o seu proprio direito ao querer.
Lugar em que arrependimentos se calem, na vivencia da saudade, o maior presente.
Num rio sem paradeiro e, por isso, livre em suas respostas.